Japão, 30 mil suicídios por ano: riqueza, tecnologia, mas… vazio na alma?

Bispo do país atribui as causas à falta de sentido existencial, conectada à profunda carência de espiritualidade e religiosidade.
Uma análise do período compreendido entre 1998 e 2010 apontou que mais de 30 mil pessoas se suicidaram no Japão em cada ano desse intervalo, taxa que, aproximadamente, continua se aplicando até o presente. Cerca de 20% dos suicídios se devem a motivos econômicos e 60% a motivos relacionados com a saúde física e a depressão, conforme recente pesquisa do governo.

O assunto é abordado pelo bispo japonês dom Isao Kikuchi em artigo divulgado pela agência AsiaNews. Ele observa que o drama se tornou mais visível a partir de 1998, “quando diversos bancos japoneses se declararam falidos, a economia do país entrou em recessão e o tradicional ‘sistema de emprego definitivo’ começou a colapsar”.
Durante os 12 anos seguintes, uma média superior a 30 mil pessoas por ano tirou a própria vida num país rico e avançado. O número, alarmante, é cinco vezes maior que o de mortes provocadas anualmente por acidentes nas rodovias.
Riqueza, tecnologia e… vazio na alma
Rodeados por riquezas materiais de todo tipo, os japoneses têm tido graves dificuldades em encontrar esperança no próprio futuro: perderam esperança para continuar vivendo, avalia o bispo.
Paradoxo: após histórica tragédia nacional, suicídios diminuíram
Um sinal de mudança, embora pequeno, foi registrado por ocasião do trágico terremoto seguido de tsunami que causou enorme destruição em áreas do Japão no mês de março de 2011: a partir daquele desastre, que despertou grande solidariedade e união no país, o número de suicídios, de modo aparentemente paradoxal, começou a diminuir. Em 2010 tinham sido 31.690. Em 2011, foram 30.651. Em 2012, 27.858. Em 2013, 27.283. A razão da diminuição não é clara, mas estima-se que uma das causas esteja ligada à reflexão sobre o sentido da vida que se percebeu entre os japoneses depois daquela colossal calamidade.
Motivos para o suicídio
Dom Isao recorda a recente pesquisa do governo que atrela 20% dos suicídios a motivos econômicos, enquanto atribui 60% a fatores de saúde física e depressão. Para o bispo, os estopins do suicídio são complexos demais para se apontar uma causa geral. No entanto, ele considera razoável e verificável afirmar que uma das razões do fenômeno é a falta de sentido espiritual na vida cotidiana dos japoneses.
O prelado observa que a abundância de riquezas materiais e o acesso aos frutos de um desenvolvimento tecnológico extraordinário são insuficientes para levar ao enriquecimento da alma. A sociedade japonesa focou no desenvolvimento material e relegou a espiritualidade e a religiosidade a um plano periférico da vida cotidiana, levando as pessoas a se isolarem e se sentirem vazias, sem significado existencial. E é sabido que o isolamento e o vazio de alma estão entre as principais causas do desespero que, no extremo, leva a dar fim à própria vida.
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Com informações da edição em espanhol da agência Gaudium Press

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POR UMA NOVA INCONFIDÊNCIA MINEIRA?

Ao contrário da eterna lenga lenga propagada pela burocracia governamental, a relação dos impostos com a injustiça social sempre foi uma constante nas sociedades marcadas pela miséria e a diferença de classes.

Não por outro motivo, é nessas sociedades que a livre iniciativa é vista com desconfiança pela burocracia e combatida ideologicamente pelas lideranças políticas e, portanto, a mobilidade social se faz com corrupção. Ao mesmo tempo, é nessas sociedades que tributos tornam-se progressivamente escorchantes e recaem sobre uma população miserável, para o sustento de uma classe dirigente administrativamente “obesa”, perdulária e insensível.

O grande exemplo está na raiz de todas as repúblicas da era moderna, a Revolução Francesa.

A situação da França, no século XVIII, era de extrema injustiça social.

No “Antigo Regime”, a monarquia dividia-se em três Estados. O Terceiro Estado era formado pelos trabalhadores urbanos, camponeses e a pequena burguesia comercial. O Segundo Estado era formado pela nobreza e o Primeiro Estado, pelo clero.

Obviamente, os impostos eram pagos somente pelo terceiro segmento social, com o objetivo escandaloso de manter os luxos da nobreza.

A França era um país absolutista. O rei controlava a economia, a justiça, a política e até mesmo a religião dos súditos.

A sociedade francesa do século XVIII era estratificada e hierarquizada. No topo da pirâmide social, estava o clero. Abaixo do clero, estava a nobreza formada pelo rei, sua família, condes, duques, marqueses e outros nobres que viviam de banquetes e muito luxo na corte. Esses estamentos não pagavam impostos.

Trabalhadores, camponeses e a burguesia, sustentavam toda a sociedade com seu trabalho e com o pagamento de altos impostos. Camponeses, trabalhadores braçais e comerciantes de rua viviam em extrema miséria. A burguesia, mesmo tendo uma condição social melhor, demandava uma participação política maior e liberdade econômica, que permitisse expandir os negócios e a economia.

Pior era a condição dos desempregados, que aumentavam em larga escala nas cidades francesas.

Do outro lado do Atlântico, notícias provinham do novo continente, onde os colonos, atormentados pelos impostos escorchantes da coroa britânica, decidiram se rebelar, fundar uma república e formar um grande país, os Estados Unidos da América.

Assim, todas as condições objetivas estavam postas para o que se sucedeu: a revolução. No mês de agosto de 1789, uma Assembleia Constituinte cancelou todos os direitos feudais que existiam e promulgou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.

Este importante documento trazia significativos avanços sociais, garantindo direitos iguais aos cidadãos, além de maior participação política para o povo. Nenhuma linha, aliás, foi dedicada a “impostos”… por motivos óbvios.

A revolta norte-americana contra os impostos e a miséria, que inspiraram a Revolução Francesa, também inspiraram os colonos do Brasil, no mesmo período – conhecido como a Inconfidência Mineira.

Durante o Século 18, o Brasil-Colônia pagava um alto tributo para seu colonizador, Portugal. Esse tributo incidia sobre tudo o que fosse produzido em nosso País e correspondia a 20% (ou seja, 1/5) da produção.

A taxação, altíssima e absurda, era chamada de “O Quinto”. O tributo recaía principalmente sobre a nossa produção de ouro.

O “Quinto” era tão odiado pelos brasileiros, que, quando se referiam a ele, diziam “O Quinto dos Infernos” – e isso virou sinônimo de tudo que é ruim.

A Coroa Portuguesa vivia um esplendor cultural, sob o reinado de Dna. Maria, que, no entanto, determinara por decreto o sufocamento da nascente manufatura brasileira, em 1785, reduzindo a economia local a pó.

Então, a Coroa quis cobrar os “quintos atrasados” de uma única vez, no episódio conhecido como “Derrama”. Isso revoltou a população, gerando a reação conhecida como a “Inconfidência Mineira”, que, debelada severamente, culminou com a prisão, morte e desterro de vários conjurados e o julgamento de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, condenado à forca e esquartejado.

Raiz de toda a revolta republicana nas Américas e no continente europeu, os impostos escorchantes cobrados de forma injusta por uma classe dirigente cada vez mais inchada, em prejuízo das classes produtoras, volta a deixar sua marca funesta na realidade atual do Brasil.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário IBPT, a carga tributária brasileira corrói, desde 2011, algo próximo a 40% – praticamente 2/5 (dois quintos) – de tudo o que o brasileiro produz.

Ou seja, a carga tributária que aflige o brasileiro, hoje, é praticamente o dobro daquela exigida pelas Côrtes de Portugal à época da Inconfidência Mineira.

Pagamos hoje, literalmente, “dois quintos dos infernos” de impostos…

E somos explorados nessa “derrama” para quê?

Para sustentar a mais cara, preguiçosa, perversa e destrutiva burocracia estatal do planeta? Para propiciar a maior taxa de corrupção do mundo? Para permitir a sobrevivência nos escaninhos governamentais, de mensaleiros, zeloteiros, lava-jatistas, merendeiros, etc?

Nossa carga tributária nos obriga a sustentar o Senado Federal com sua legião de “Diretores”? A festa das passagens em primeira classe – de procuradores, políticos e burocratas de agências de controle? Sustentar bacanais (literalmente) com o dinheiro público? As comissões e jatinhos,? A farra familiar nos 3 Poderes (Executivo/Legislativo e Judiciário)?

Nosso dinheiro é confiscado no dobro do valor do “quinto dos infernos” para sustentar três poderes da república, que nos custam (já feitas as atualizações) o dobro do que custava toda a Corte Portuguesa!

E pensar que Tiradentes foi enforcado porque se insurgiu contra a metade dos impostos que pagamos atualmente…

Pior, não havia nos tempos de Tiradentes, uma máquina tão sofisticada, voraz e perversa de arrecadação como a atual. Monitoramentos de tráfego, combinados com alterações absurdas de regras de trânsito, fazem a festa da burocracia em todas as cidades e estradas do Brasil. Multas e autuações sobre cidadãos constituem fonte adicional de honorários, para procuradores que já recebem do erário público para cumprir suas obrigações. Associações de classe de auditores,magistrados, delegados, promotores, assessores, etc., reincidem em campanhas para buscar isenções de impostos, enquanto igrejas já as obtém, independente da religião…

No Brasil, viver como cidadão de bem…é prejuízo.

Tentar empreender no Brasil, ser empresário, comerciante honesto, é enfrentar, além da burocracia absurda e impostos escorchantes, a violência e a criminalidade. Não é para qualquer um.

Pior é ser o contribuinte, direta e indiretamente, além de tributado, tachado “explorador” por uma horda de imbecis que pregam o Estado como origem e destino das (suas próprias) realizações pessoais.

Um Estado que cobra tributos de forma implacável, enquanto se omite ante a marginalidade, vitimiza a delinquência, prestigia o ócio, faz da impunidade, a regra.

Essa a razão da “sensação de desobrigação” para com o interesse público, que vai tomando conta da sociedade civil organizada, que alterna mobilizações em massa, contra qualquer coisa, com escassês absoluta de mobilizações “em favor” de algo que deva ser construído coletivamente… Todos reivindicam, ninguém se obriga, porque todos se sentem absolutamente explorados por uma estrutura que nada lhe dá em troca – só tira… e muito.

A voracidade tributária, por tudo isso, rasga as garantias fundamentais da cidadania e destrói o Estado Democrático de Direito.

Está na hora, sem dúvida, de uma nova inconfidência – com uma diferença: ela deverá vingar o povo brasileiro.

Por Yara Lorenzetti e Antonio Fernando Pinheiro Pedro

O epilogo europeu para o triunfo da diversidade globalistas.

O Globalista da Goldman Sacks, presidente da França Emmanuel Macron fala por uma imigração em massa de 200 milhões de africanos para a Europa.

Em apoio do seu ponto, seja Macron sobre os explosivos  no terceiro continente mundial, que de acordo com Macron é “incrível bem descrito” pelo jornalista franco-Americano e professor Stephen Smith no seu livro recente.

Smith, o perito africano que o Macron referiu durante o seu desempenho, estima que o número de africanos que vivem na europa aumentará nos próximos 30 anos a partir de agora “mas” 9 milhões para entre 150 e 200 Milhões.

Se este cenário for ainda mais de metade, a Europa deixará de existir como um continente ocidental / Branco, e tornar-se-á um continente africano / Islâmico em que a população indígena terá de tentar sobreviver como cidadãos de segunda classe.

https://www.defendevropa.org/2018/population-replacement/macron-europe-shares-destiny-with-africa-entering-age-of-unprecedented-mass-migration/

Sobre a juventude e seus ideais

O primeiro erro de muitos conservadores da direita reacionária está em atribuir à juventude as fatídicas condições atuais da ética e dos valores essenciais.

Mas as novas gerações estão precisamente livres dessa culpa primordial, que consiste em afirmar que elas tiveram se degenerado, apesar de uma educação medianamente correta e de terem conhecido formas familiares de educação muito mais aceitáveis que as atuais. No entanto, os jovens não conhecem formas tradicionais de viver, por terem nascido já imersos no sistema decadente capitalista e progressista, por mais que seus pais tenham tido ao menos certa forma de valores de disciplina, honra e/ou espiritualidade, deixaram-se levar pela propaganda do sistema e a busca do prazer como único objetivo de vida.

Tem sido péssimo o exemplo dos reacionários e a comodidade dos chamados progressistas que os conduziram à situação atual. A juventude é, pois, um produto dos valores mal-educativos e do mau exemplo da sociedade democrática, com seu materialismo econômico por um lado (direita) e sua infame antiética por outro (esquerda).

Uma das formas mais claras de perceber esta situação está no modo com que as últimas gerações mudaram, desde sua corrupção inicial, a uma lógica decadente estabelecida. Devem-se analisar os ideais das duas últimas gerações, tendo como geração 35 anos, que é o tempo que vai desde o nascimento até a ascensão de certa direção na sociedade da nova juventude já formada e crescida.

Pois bem, se tomamos a geração dos anos 60 e 70, percebemos que naquele momento a geração culpada da aceitação de uma decadência posterior toma a decisão compreensível de buscar uma série de novos ideais, mas fazendo-o de modo equivocado.

Essa geração toma para si ideais como o pacifismo e a militância de esquerda (“paz e amor e não à guerra” era o protesto feito pelo Vietnã, mas nunca pelo Tibete), unido a uma liberdade total do sexo, a busca do prazer material (drogas, sexo, dinheiro), a luta social marxista em seus aspectos mais estranhos (feminismo de classe, sexismo revolucionário, música para noites de sexo e orgias), o desejo de igualdade (em tudo, menos no dinheiro), ídolos que como Che, Lenon, Chaplin, roqueiros em geral ou artistas do cinema, que nada tinham a ver com o modelo pessoal humano – tratava-se, na verdade, de uma arte manchada, com a única justificativa de romper com o clássico.

Apesar de todo o asco que estes temas nos dão, deve-se admitir que essa geração possuía ideais – não os havia ainda comprovado, desconheciam seu vazio, levando-os sob pressão dos meios de comunicação, intelectuais e financeiros, triunfantes em 1945.

Por isso, aquela geração assumiu seus ideais novos com paixão autêntica, com idealismo, de forma que foram extremos em tudo. A droga se tornava um meio político; o sexo livre era um protesto; a rebelião universitária de 1968 levava-lhes às barricadas e pedradas. Discutia-se em salas de aula. Nós nos pegávamos por ideais nos passeios universitários, cassetetes e varas em todos os lugares, como eu mesmo vivi várias vezes, tenso sido delegado no Curso de Engenharia. Eram ateus sinceros, não por dissídio, mas pelo princípio de ruptura com as igrejas. Os catalães aplaudiam a Serrat ou a Raymon (com canções preciosas, diga-se de passagem) entre as quais jamais se falava de dinheiro ou reclamações econômicas, mas da defesa de ser catalão.

Mas certamente aquele que planta lixo, recolhe excrementos. Com a melhor ilusão, uma geração foi enganada pelo marxismo e pelo capitalismo mesclados, naquilo que se chamou de progressismo, tendo trabalhado e lutado por ideais que eram as sementes criadas por seus instigadores.

Assim, quando esta geração alcançou o poder, nos anos anteriores a 2000, aqueles jovens de Juventudes Comunistas, Comunas de orgias sexuais, Anarquistas libertários, Liga Revolucionária, Maoistas e drogados de festas, acabaram como ministros, atrizes pornôs ou funcionários do neo-capitalismo e progressistas de salão, ocupando com paixão prefeituras e os espaços urbanos; advogados de negócios, muitos ministros e altos funcionários econômicos da Europa capitalista e maçônica atual, que antes haviam sido comunistas raivosos que levavam a imagem de Che ou Mao em suas camisetas.

A geração que foi mal-educada, segundo seu ideal de “não à autoridade”, “não ao castigo”, “relativismo… deixar fazer” unida a seu exemplo de traição de todo ideal, vendendo-se ao dinheiro e ao poder, é a juventude atual.

E constatamos que todos os ideais daqueles anos de 60 e 70 já não existem mais entre eles. A droga já não é mais a rebeldia, senão um prazer e vício. Os jovens já não querem mais saber de nada que remeta à luta contra a autoridade. O sexo é o prazer sem mais profundidades. São ateus por preguiça, sem ter meditado um minuto a respeito disso. A arte não lhes é importante – nem o moderno, nem o outro. Seus cantores prediletos não sabem nem o que dizem (pois somente lhes interessa a dança e o ritmo alucinante). Estudam para ganhar dinheiro, não para protestar por nada. Os jovens que trabalham, fazem-no porque não existem outros meios (não por luta de classe nem ideais proletários). O Che se transformou em uma marca de vestimentas. Os Rollings vendem sua marca aos elegantes e suas canções de protesto são usadas em anúncios de colônias e perfumes da moda. Os militantes de partidos buscam cargos ou influências, e os que não ganham dinheiro são tidos como perdedores.

A auto-proclamada por eles mesmos “Juventude revolucionária” atual nas Universidades. Abandonou a luta proletária e das classes para abraçar causas liberais e pós-modernas como LGBT´s, discussão de gênero, uso de drogas indiscriminado, anti-família e anti-pátria…

…enquanto na esfera de poder/política social, esses “representantes” dessa dita “juventude revolucionária” não passam de puxa-sacos ou chorões profissionais dos políticos e chefes de partidos que levam um slogan de “esquerda” mais defendem, aprovam e lutam por causas neoliberais no fim das contas, e não satisfeitos, funcionam de “braço armado” para o “braço político” para aprovação de qualquer resolução anti-nação. Suas causas travestidas de “sociais” e de “minorias” (conceito pós-moderno e neoliberal) mais afastam os cidadãos ao qual se dirigem do que unem ao resto do país.

Se um jovem pede honra e trabalho no PSOE (Partido Socialista Obrero Español) de hoje, será como quando um monge no ano 1200 pedia pobreza ao Papa de Roma – um pobre iludido, candidato à expulsão.

A nova juventude perdeu todo o ideal que não está no dinheiro e em viver bem. Não existem utopias nem ideais. Os mesmos que se sacrificam anos para ganhar posições ou ter um currículo profissional, jamais se sacrificaram por nada “dos outros”, por algo idealista.

O antimilitarismo de então se converte em um desentendimento total do tema, fazendo com profissionais se ocupem de combater o Iraque ou qualquer outro alvo apontado pela OTAN. Pois para a juventude, nada disso importa.

A juventude atual não é má. Simplesmente não tem ideal, pois aquele, de seus pais, foi uma fraude. E assim, não conhecem a outros e nem desejam conhecê-los. Sequer lutar ainda por algo.

Já não há luta de gerações como a que havia nos anos 70. Hoje os jovens nem sequer brigam com os pais, pois já os passaram à busca de dinheiro.

Quando lemos alguns dos textos sobre o ideal nacional-socialista dos anos 30, vemos a enorme ruptura que se deu em 1935, como não foi uma derrota militar, mas uma destruição de uma concepção de mundo.

Podemos ler em um texto de Carl Cerff, dirigente das Juventudes Nacional-Socialistas sobre “Nossas tarefas culturais para as horas livres da juventude”:
“De nós, partem todo tipo de sugestões para a educação sadia da juventude: seja mediante sua participação nos cursos organizados, realizando-os em lugares convenientes, recomendando-lhes livros bons, ou por meio de jogos, concertos, cinema, teatro etc. Procuramos também – e acima de tudo – que nossos moços e moças utilizem seu tempo livre aprendendo a tocar um instrumento, pois não há nada tão apropriado como a música para dar ao tempo livre um caráter elevado e grandioso para a vida. A música desperta na juventude os sentimentos da beleza e nobreza. Na organização do tempo livre para cada indivíduo, damos grande importância aos jogos de mesa, principalmente ao xadrez e outros similares, os que não somente servem de propagação de valores à juventude, como também de excelente estimulante espiritual”.
Ou bem:
“Nós nos opomos àquela parcela de jovens que se separam intencionalmente, com sentimentos de inimizade, comum à vida dos adultos. Pois a juventude deve estar incorporada ao conjunto da vida cultural alemã, em ânsias culturais e os esforços que somente ela é capaz de realizar”.
Quando ouvimos falar do “Serviço Estudantil”, onde milhares de estudantes voluntários substituíram no trabalho a um campesino ou uma mãe, para que estes pudessem ter umas vocações extras.

Isto nos soa como uma profecia, quando diziam sobre o sistema democrático: “A formação do caráter e subordinação da cultura individual às necessidades vitais do povo, eram conceitos desconhecidos ou rejeitados radicalmente”.

Podemos comprovar que os ideais daquela geração tiveram produzido resultados bem distintos dos atuais. Buscavam uma elevação espiritual e cultural dos jovens, não sua felicidade por prazer, mas pela alegria de cumprir os deveres e superar-se como pessoa.

Hoje pareceria uma utopia tirar as crianças dos consoles ou do computador para que passassem a gostar de teatro ou caminhar na natureza.

Lutamos para que um dia uma nova geração volte a buscar ideais, que lhes dê asco a decadência e a burguesia atual dos progressistas e seu miserável egoísmo – que seja uma geração que busque um mundo novo: este é o grande perigo para o sistema. A nova juventude em cada geração.

Revista Devenir Europeo. Nº 4. Tema: Juventude. Pg. 4 a 6. Associação Cultural Devenir Europeo. Barcelona, 2008

A mulher e as fortalezas: o feminino contra a decadência

“Quando uma mulher a decisão de abandonar o sofrimento, a mentira e a submissão., quando uma mulher diz do fundo do coração: ‘basta, cheguei até aqui’, nem mil exércitos de ego e nem todas as armadilhas da ilusão poderão detê-la na busca de sua própria verdade. Aí se abrem as portas de sua própria alma e começa o processo de cura. O processo que devolverá pouco a pouco a si mesma, a sua verdadeira vida. E ninguém disse que seria fácil, mas é o ‘caminho’. Essa decisão em si abre uma linha direta com sua natureza selvagem e é aí onde começa o verdadeiro milagre.”

– Clarissa Pinkola Estés em, “Mulheres que correm com os lobos – Mitos e histórias do arquétipo da Mulher Selvagem”.

“Uma mulher saudável assemelha-se muito a um lobo; robusta, plena, com grande força vital, que dá a vida, que tem consciência do seu território, engenhosa, leal, que gosta de perambular. Entretanto, a separação da natureza selvagem faz com que a personalidade da mulher se torne mesquinha, parca, fantasmagórica, espectral. Não fomos feitas para ser franzinas, de cabelos frágeis, incapazes de saltar, de perseguir, de parir, de criar uma vida. Quando as vidas das mulheres estão em estase, tédio, já está na hora de a mulher selvática aflorar. Chegou a hora de a função criadora da psique fertilizar a aridez.”

“De que maneira a Mulher Selvagem afeta as mulheres?” […] “A mulher Selvagem carrega consigo os elementos para a cura; traz tudo o que a mulher precisa ser e saber. Ela dispões do remédio para todos os males. Ela carrega histórias e sonhos, palavras e canções, signos e símbolos. Ela é tanto o veículo quanto o destino. Aproximar-se da natureza instintiva não significa desestruturar-se, mudar tudo da esquerda para a direita, do preto para o branco, passar o oeste para o leste, agor como louco ou descontrolada. Não significa perder as socializações básicas ou tornar-se menos humana. Significa exatamente o posto. A natureza selvagem possui uma vasta integridade. Ela implica delimitar territórios, encontrar nossa matilha, ocupar nosso corpo com segurança e orgulho independentemente dos dons e das limitações desse corpo, falar e agir em defesa própria, estar consciente, alerta, recorrer aos poderes da intuição e do pressentimento inatos às mulheres, adequar-se aos próprios ciclos, descobrir aquilo a que pertencemos, despertar com dignidade e manter o máximo de consciência possível”.

– Clarissa Pinkola Estés em, “Mulheres que correm com os lobos – Mitos e histórias do arquétipo da Mulher Selvagem”. Introdução, p. 25.

Uma visão guerreira

Em toda Hélade (Grécia antiga), as espartanas eram conhecidas por sua grande beleza, e respeitadas por sua serenidade e maturidade.

As mulheres espartanas eram superiores em todos os aspectos às demais mulheres de seu tempo. Inclusive em virtudes físicas, valor e dureza superariam a maioria dos homens modernos. E qual foi o resultado da educação patriarcal espartana para as jovens? Foram uma casta de mulheres à beira da perfeição, mulheres severas, discretas e orgulhosas. A feminilidade espartana tomou o aspecto de jovens atléticas, alegres e livres, porém quando necessários graves e sombrias. Era, como as Valquírias, a companheira perfeita do guerreiro. Eram fisicamente ativas e audazes; muito distantes, pois, do ideal de “mulher objeto” e prostituída do Sistema moderno.

Esparta mesmo era viril e patriarcal até a medula, porém como veremos, os espartanos não eram de modo algum injustos ou opressores com suas mulheres, que ao invés disso, estas, gozavam de uma liberdade impossível em sociedades matriarcais, onde tudo se centra no materialismo e o desfrute de gozos terrenos passageiros, e a mulher passa a ser uma cortesã, um objeto passivo de desfrute e de culto distorcido, cuja idealização está plasmada nas conhecidas “Vênus” dos promíscuos povos matriarcais – figuras de mulheres horrivelmente obesas e que representavam a beleza e a fertilidade para estes escravos deprimidos espiritual e fisiologicamente.

Esparta, um estado tão duro e tão viril, era o mais justo da Hélade em tudo o que concernia as suas mulheres, e não precisamente por que fossem aduladas e malcriadas. Esparta foi o único Estado helênico que instituiu uma política de educação feminina à margem dos conhecimentos do lar e das crianças que toda mulher devia possuir. Foi por isso mesmo o Estado com maior índice de alfabetização de toda Hélade, pois às meninas espartanas lhes era ensinado a ler assim como a seus irmãos, diferentemente do resto da Grécia, onde as mulheres eram analfabetas.

Na própria Esparta havia mais mulheres do que homens por diferentes motivos, e os espartanos que pensavam em seu lar, deviam, pois, sempre pensar em termos de mãe, irmãs, esposa e filhas: a Pátria, o ideal sagrado, tinha um caráter feminino. Proteger a Pátria equivalia a proteger suas mulheres. Os homens não se protegiam a si mesmos: eles eram a couraça distante que defendia o coração, o núcleo sagrado, e se imolavam em honra desse coração. As mulheres representavam o círculo interior, enquanto que os homens representavam a muralha externa protetora.

As meninas espartanas recebiam comida na mesma quantidade e qualidade que seus irmãos, o que não sucedia nos Estados democratas da Grécia, onde os melhores alimentos eram para os varões. Eram colocadas sob um sistema educativo similar ao dos homens e que favorecia as aptidões de força, saúde, agilidade e dureza, sendo educadas em classes e ao ar livre, treinadas por mulheres. No caso das meninas, a ênfase era mais colocada no domínio de suas emoções, no controle dos sentimentos e no cultivo do instinto materno. Favorecia-se, ao invés, que as jovens treinassem esportivamente com os jovens, pois se pretendia que os varões as animassem a se superar nos esforços físicos.

O principal na formação feminina era a educação física e a “socialista”, que consagrava suas vidas a sua Pátria – como os homens, só que em seu caso o dever não era derramar seu sangue no campo de batalha, mas sim manter vivo o lar, proporcionar uma progênie sadia e forte a sua estirpe, e cria-la com sabedoria e esmero. Iluminar, dar a luz, esse é o fruto do instinto feminino que renova um povo; essa era a missão que era ensinada às meninas de Esparta.

As espartanas corriam, lutavam boxe, e faziam luta livre, ademais do lançamento de dardo e de disco, natação, ginástica e dança. Ainda que sim, participassem nos torneios desportivos espartanos, estavam proibidas de fazer nos Jogos Olímpicos por culpa do rechaço dos demais povos helênicos, infectados pela mentalidade pré-ariana segundo a qual uma “senhorita” deve se colocar entre quatro paredes até se converter em uma dessas mencionadas “Vênus” obesas, adoradas pelos antigos povos matriarcais como modelo de beleza feminina. Vemos que, enquanto as esculturas gregas representam bem o ideal de beleza masculina (pense-se no “discóbolo” de Mirón), não se aproximam minimamente ao ideal de beleza feminina: todas as estátuas femininas representam a mulheres amorfas, pouco sadias, pouco naturais e nada atléticas, ainda que de traços faciais perfeitos. Se os espartanos nos tivessem legado esculturas de mulheres, teriam representado muito melhor seu ideal de beleza.

Muitos povos arianos, ao entrar em contato com o lixo matriarcal, adotaram exageradamente um patriarcado mal assimilado que pretendia prevenir que a sociedade tradicional-patriarcal degenerasse em decadente-matriarcal, e cujo signo distintivo era o desprezo pela mulher e a anulação do seu caráter. Isso ocorreu em outros Estados helênicos e também posteriormente em Roma, porém a Esparta não lhe fez falta reagir assim.

Enquanto à austeridade feminina, era também pronunciada especialmente se a compararmos com a conduta das demais gregas, já aficionadas às cores, à superficialidade, às decorações, aos objetos, e já com esse indício de “consumismo” tipicamente feminino. As espartanas nem ao menos conheciam os extravagantes tecidos procedentes do Oriente, e deviam portar, como símbolo de sua disciplina, o cabelo amarrado com simplicidade – sem dúvida era também o mais prático para uma vida de intensa atividade desportiva. Assim mesmo, todo tipo de maquiagens, adornos, joias e perfumes e tinturas capilares eram desconhecidos e desnecessários para as mulheres de Esparta, que desprezavam com altivez toda essa repugnante parafernália meridional. Sêneca disse que “a virtude não precisa de adornos; ela tem em si mesmo seu máximo ornato.” As espartanas deviam pensar assim.

Um dos objetivos de criar mulheres sãs e ágeis era que os bebês espartanos, crescendo no seio de corpos sólidos, nascessem promissores. Segundo Plutarco, Licurgo “exercitou os corpos das donzelas em correr, lutar, arremessar o disco e atirar com o arco, para que a geração dos filhos, tomando princípio em corpos robustos, brotasse com mais força; e levando elas os partos com vigor, estivessem dispostos para aguentar alegre e facilmente as dores”.

As espartanas eram preparadas, desde pequenas, para o parto e para a etapa na qual seriam mães, ensinando-lhes a maneira correta de educar um pequeno para que chegasse a ser um verdadeiro espartano. Durante essa aprendizagem, as espartanas muitas vezes atuavam como babás e assim adquiriam experiência para quando elas recebessem a iniciação da maternidade. Contraíam matrimônio a partir dos 20 anos, e não se casavam com homens que as superassem muito em idade (como sim sucedia no resto da Grécia), mas sim com homens de sua idade ou 5 anos mais velhos, ou mais novos, que elas no máximo, já que a diferença de idades nos membros de um matrimônio estava muito mal vista – pois sabotava a duração da etapa fértil da parelha. Não se permitia nem por suposição a aberração de casar meninas de 15 anos com homens de 30, aberração que, repetimos, sim se deu em outros Estados helênicos, onde os pais chegavam a forçar uniões cuja diferença de idade era de uma geração. Tampouco se permitia em Esparta outra abominação, que consistia em casar a jovens com seus próprios tios ou primos para manter a riqueza hereditária dentro da família, em uma mentalidade completamente oriental, endogamia, anti-ariana e antinatural. Outras práticas, como a prostituição ou o estupro, nem mesmo eram concebidas, assim como o adultério.

Nos demais Estados gregos, a nudez masculina era comum em atividades religiosas e desportivas, e isso era signo de sua soberba e de seu orgulho. A nudez feminina, por sua vez, estava proscrita em similar medida que a própria presença feminina em ditos atos. Porém nessas procissões, cerimônias religiosas, festas e atividades desportivas de Esparta, as jovens iam tão nuas quanto os jovens. Cada ano, durante a Gymnopedia, que durava 10 dias, a juventude espartana de ambos os sexos competia em torneios desportivos e dançava nua. Hoje em dia atividades nudistas desse tipo seriam ridículas por que a nudez das pessoas é repelente; seus corpos são flácidos e carecem de formas normais. O indivíduo moderno tende a considerar um corpo atlético como um corpo sobressalente, quando um corpo atlético é um corpo natural e normal, e é o resto dos tipos físicos atrofiados e não exercitados os que não são normais. Recordemos a reflexão nietzschiana: “Um homem nu é considerado em geral como um espetáculo vergonhoso.” Ainda assim, naquela época, presenciar semelhante demonstração de saúde, agilidade, força, beleza, musculatura e boas constituições devia inspirar um autêntico respeito e orgulho de estirpe, um sentimento seleto que é e será sempre pagão.

Os helenos dos Estados democratas alegaram em seu dia que a presença da nudez feminina poderia causar olhares lascivos, porém o certo é que os espartanos tomavam tudo àquilo com simples naturalidade, despreocupação e alegria pagã. Ademais, as jovens espartanas que identificavam um admirador abobado lançavam-lhe uma hábil ladainha de brincadeiras que o deixavam em ridículo diante de todo um estádio repleto de solenes autoridades e atento povo.

Em algumas cerimônias, as jovens cantavam sobre os varões que haviam realizado grandes proezas, ou infamavam ao que havia se conduzido mal. Elas eram de alguma maneira, a voz exigente do inconsciente coletivo espartano.

Elas eram a polícia da virilidade, o guardiães que velavam pelo arrojo e pela conduta dos homens. Não só era nas canções que vertiam suas opiniões, mas sim na vida pública: não deixavam passar nada, não eram indulgentes, mas sim que criticavam sempre ao covarde e elogiavam o valente. Para os homens de honra, as opiniões sobre o valor e a hombridade que tinham mais importância se procediam de vozes femininas, dignas de respeito: assim as críticas eram mais pungentes e os elogios mais revigorantes (segundo Plutarco, as espartanas “engendravam nos jovens uma ambição e emulação laudáveis”). É por isso que, no caso dos espartanos, as relações com as mulheres não os amoleciam, mas sim os endureciam ainda mais – pois eles preferiam ser valentes e conquistar a adoração de tais mulheres.

Em uma comédia intitulada “Lisístrata”, escrita pelo dramaturgo ateniense Aristófanes (444 AEC – 385 AEC), há uma cena na qual uma multidão de mulheres atenienses rodeia admirada, a uma jovem espartana chamada Lampito. “Que criatura mais esplêndida!” dizem as atenienses. “Que pele tão saudável, que corpo tão firme!” Outra adiciona: “Nunca vi seios como esses.” Homero chamou Esparta de “Kalligynaika”, quer dizer, “Terra de Mulheres Belas”. Por outro lado, não esquecemos que a lendária Helena de Troia, a mulher mais bela do mundo, foi originalmente Helena de Esparta, um ideal, inclusive uma rainha-sacerdotisa que foi roubada e que não apenas Esparta, mas sim a Grécia inteira, recuperou através de luta e de conquista.

Sua severidade dava a melhor companhia a seus esposos e a melhor criação a seus filhos, e em troca exigia os maiores sacrifícios: uma anedota relata como uma mãe espartana matou seu próprio filho quando viu que era o único sobrevivente de uma batalha e que voltava a seu lar com uma ferida nas costas – quer dizer, havia dado as costas ao inimigo, havia fugido ao invés de cumprir com seu sagrado dever e imolação gloriosa. Outra mãe Esparta, ao ver como seu filho fugia do combate, levantou sua túnica e perguntou – com a mais impiedosa crueza, certamente – se sua intenção era voltar apavorado ao lugar de onde saiu. Enquanto outras mães teriam dito “pobrezinhas!” e teriam estendido os braços, as mães espartanas não perdoavam. Tácito escreveu que as mães e esposas dos germanos (que viviam com uma mentalidade não muito distinta da de Esparta) costumavam contar as cicatrizes de seus guerreiros, inclusive exigiam que voltassem com feridas para demonstrar sua presteza no sacrifício por elas. Os espartanos acreditavam que em suas mulheres residia um dom divino, e não eram as espartanas quem lhes ia convencer do contrário, de modo que procuravam estar a altura da devoção que seus homens lhes professavam.

Assim, as mulheres estavam convictas de que em seus homens habitava essa nobreza, valor, sinceridade, poder e retidão tipicamente masculinas, junto com a noção de dever, de honra, e a disposição para o sacrifício, e os homens procuravam também manter-se à altura de tal ideal. De novo, encontramos que a mulher ariana antiga não amolecia seu homem, mas sim o ajudava a melhora-lo e aperfeiçoa-lo, pois o homem sentia a necessidade de manter a integridade perante semelhantes mulheres, de modo que as mulheres se mantinham alerta e faziam o que era apropriado perante os varões, tendo presente em suas mentes que elas constituíam por si mesmas ideais pelos quais seus homens estavam dispostos a se sacrificar.

De tal modo, se criava um círculo vicioso. A mulher não era um motivo para abandonar a luta, mas sim precisamente um motivo para lutar com ainda mais fanatismo.

Ártemis ou Artemísia é a deusa grega ligada à vida selvagem e à caça, ao nascimento, da virgindade e protetora das meninas; mais tarde, também se tornou associada à lua e à magia. Era filha de Zeus e Leto, e irmã gêmea de Apolo. Os romano chamavam-lhe Diana, Homero refere-se-lhe como “Artemis Agrotera, Potnia Theron” (Ártemis das terras selvagens, Senhora dos Animais), enquanto os acadianos à viam como filha de Deméter e deusa da agricultura. Foi descrita como a melhor caçadora entre deuses e mortais e arco e flechas são seus companheiros constantes além do cervo, urso e cipreste lhes são consagrados. Era a deusa preterida entre as mulheres espartanas. (1)

Os demais gregos se indignavam por que as espartanas não tinham medo de falar em público, por que tinham opiniões e por que, ademais, suas esposas as escutavam. As mesmas indignações experimentaram os romanos tardios frente a maior liberdade da mulher germânica. Ademais, e posto que seus homens levassem uma constante vida de acampamento militar, as mulheres espartanas (como as vikings) estavam encarregadas da administração e do lar. Administravam os recursos da casa, a economia e a autossuficiência da família, de tal modo que os espartanos confiavam em suas mulheres para proporcionar à sua sistia as rações de comida estipuladas. As mulheres espartanas (também como as germânicas) podiam herdar propriedade e transmiti-la, ao contrário que o resto de mulheres gregas. Toda essa administração doméstica feminina era como vemos, similar no direito germânico, onde as mulheres ostentavam a chave do lugar como signo de soberania sobre casa familiar sagrada e inexpugnável, e de sua fidelidade à cabeça da família. O lar é o menor templo que pode ter a menor unidade de sangue, célula e base de toda a a família e a portadora de sua chave.

Uma sociedade na guerra está condenada se o lar, se a retaguarda feminina, não está com a vanguarda masculina. Todos os sacrifícios dos guerreiros são apenas um glorioso esbanjamento sem meta e sem sentido se na Pátria não há mulheres dispostas a manter o lar em funcionamento, e brindar seu apoio e ânimo espiritual aos homens em campanha e, em última instância, a parir novos guerreiros. Um soldado longe de seu lar, sem pátria, sem ideal e sem uma imagem feminina de referência – um modelo de perfeição, um eixo de divindade – degenera imediatamente em um bandido sem honra. Ao contrário, se é capaz de interiorizar uma mística interior e uma simbologia feminina que equilibre a brutalidade que presencia no dia a dia, seu Espírito se verá fortalecido e seu caráter se enobrecerá. Esparta não teve problemas nesse sentido; as espartanas eram a contraparte perfeita de um bom guerreiro.

Uma visão nacionalista

Durante os anos de luta, não passou despercebido a Adolf Hitler o papel importantíssimo que a mulher, como companheira do homem, podia desempenhar na propagação do movimento nacional-socialista. “Sem a constância e o espírito ou de sacrifício verdadeiramente fervoroso da mulher”, disse o Führer na última Assembleia do Partido em Nuremberg, “jamais eu teria podido levar o Partido à vitória”. Com sua chegada ao poder, o Führer reconheceu todo o significado da mulher e seus distintos valores em ação, tanto na vida política em geral, como na política demográfica, a assistência social e outras instituições, nas quais sua paciente, amorosa e delicada colaboração é de um valor inestimável.

Contestando a uma pergunta que junto a alguns colegas da imprensa estrangeira dirigimos a Presidente da Juventude Feminina, Sra. Gertrud Scholtz-Klink, na qual lhe rogávamos que nos explicasse que pontos de vista ideológicos guiavam a mulher alemã em sua intervenção no movimento nacional-socialista, Gertrud nos respondeu em uma conferência pronunciada no Hotel Kaiserhof, com as seguintes palavras:
“Nossa ideologia, que afetava a todo nosso povo em suas raízes mais profundas, não foi determinada por considerações materiais, senão pelo próprio espírito deste povo. Quando se trata de coisas espirituais, não é já a maioria quem decide, senão a força imanente de cada individuo. Esta intuição a tinham não somente os homens alemães, senão também muitas mulheres alemãs, que nos anos de luta, para ganhar a alma do povo, foram as companheiras incondicionais e decididas destes homens. Esta atitude resulta incondicional de nossa parte, em favor do Nacional-Socialismo, nos foi reprovada em certas esferas da sociedade, como uma traição aos interesses particulares da mulher. Sobre isto, quero expressar nesta ocasião com toda a seguinte clareza: o mandato fundamental da ideologia nacional-socialista, desde sua fundação até hoje, reza assim: o interesse da coletividade está acima do interesse particular. E, assim sendo, mesmo que não nos fosse possível ajudar a todo o nosso povo, não podíamos pensar de modo algum em por em primeiro lugar qualquer desejo ou necessidades particulares da mulher. Mesmo ardendo no coração dos homens alemães, a vontade de encontrar os caminhos para a melhora do nosso povo, era para nós, mulheres, muito mais importante a totalidade do povo que as aspirações e os desejos próprios”.
No estrangeiro, a mulher alemã tropeça com uma série de prevenções e opiniões errôneas sobre sua atuação política, que tem origem no insuficiente conhecimento da Alemanha e do povo alemão. Uns creem poder formar uma ideia da mulher alemã a partir da berlinense mundana, esbelta e elegante, que leva de passeio ao seu lindíssimo cãozinho, de pelo grande e sedoso, pela Kurfürstendamm, ou conduz seu “Mercedes” de linhas modernas pelas estradas aos belos arredores de Berlim; outros se atendem ao tipo burguês da “Margarita”, com suas cores naturais, seus olhos azuis e as tranças loiras que caem sobre os ombros. Este juízo seria tão falso como o fora o de valorizar a mulher francesa pela parisiense emperiquitada dos grandes Bulevares.

A mulher alemã é geralmente de uma elegância sóbria e de uma franqueza alegre e espontânea. Ainda quando sob o novo regime, não assiste aos cursos universitários com o mesmo zelo de antes, não ambiciona cargos políticos, conservando assim, sem sombra de dúvidas, uma elevada educação geral, assim como seu interesse pela música, pela literatura e belas artes. Principalmente pode se observar, por exemplo, no ônibus ou meios de transporte, a mulheres e meninas lendo seus autores prediletos; nas salas de concerto, o sexo feminino constitui a maioria do público, escutando a música com um recolhimento quase religioso. Digno de assinalar é também a atração das mulheres pelo esporte. Isto está demonstrado pela intensa participação feminina nos exercícios de cultura física, e as numerosas sociedades esportivas femininas que existem em todas as cidades da Alemanha. Seu interesse em todas as organizações desportivas, desde o esporte ligeiro até a natação, as carreiras pedestres e os concursos de esqui, é cada vez maior.

Hannah Reitsch (1912 – 1979) e a cruz de ferro obtida por seus voos heroicos. Oftalmologista que estudava para se tornar médica, em 1932 resolveu se tornar piloto de testes, destacando-se por bater diversos recordes, entre eles o de ser a primeira mulher a cruzar os Alpes em um planador. Muitos destes recordes duram até hoje. Em 1934 esteve no Brasil com pilotos alemães (era a única mulher no grupo), participando de competições e exibições aéreas (A 17 de fevereiro de 1934, Hanna Reitsch realizou um voo de planador de 2200 metros sobre a cidade do Rio de Janeiro, estabelecendo o recorde mundial feminino de altitude).

Mas, sobre todas as coisas, a ideia de família dirige e inspira com preponderância a mulher alemã; o sonho de seu futuro lugar é o que consome seu coração. Não o tipo “garçonete”, senão que é consciente de que há de chegar a ser mulher, e seu coração é sempre sensível à eterna canção de amor. Manifesta seu entusiasmo ao escutar os discursos políticos de Hitler, ou ao tomar parte nas grandes manifestações públicas nacional-socialistas, mas sempre se entusiasma com o desejo de ser mulher, e sua missão de futura mãe e como tal, é da mesma condição e índole que todas as demais mulheres do mundo. Toda esposa põe o maior empenho em ser considerada como boa ama de casa, e pode demonstrar o que tem aprendido na casa de seus pais, nos cursos de economia caseira, organizados pela Associação Feminina Nacional-Socialista, ou em qualquer das numerosas escolas privadas. As jovens prometidas tiram aprendizado em todos os ramos da economia caseira, com a finalidade de logo poder oferecer a seu esposo um lugar atraente e alegre, confortável e bem administrado.

O cumprimento das funções que como mulher a incumbem, a alemã se sente responsável perante a coletividade. “Nós”, me dizia uma vez uma colaboradora da Associação Feminina Nacional-Socialista, “servimos a vida de nosso povo e consideramos o trabalho do nosso lugar como um meio de alcançar e manter a saúde tanto física como espiritual dele, valendo-nos das fontes de energia da nossa própria economia”.

A nova ideologia operou na mulher alemã uma profunda transformação, que se reflete tanto no seu interior como no seu exterior. Milhares de mulheres da juventude hitlerista se orgulham de levar seu sensível vestido de jaqueta parda e falda negra, tendo suprimido o ar e desejando crescer de novo suas tranças. Isto significa também o retorno da juventude feminina aos princípios originais da moral, a uma maior estima pessoal e a um maior respeito da opinião alheia, sem com isso pecar com uma vaidade exagerada. A isto contribui também o fato de que o homem voltou a sentir um maior respeito pela mulher. O aumento das possibilidades de trabalho, a incorporação dos jovens ao Serviço de Trabalho, o Exército, foram barrados das ruas e dos locais quietos repletos de senhores que gostam dos jogos, proporcionando-lhes a ocasião de conhecer as regras de conduta de uma coletividade ordenada e, entre outras coisas, o respeito à mulher.

A relação ao novo sentimento da moral e bons costumes que se está inculcando à juventude feminina se expressa na interessante declaração dada pela Chefe da Juventude à Associação de Jovens Alemãs:
“Vós, as moças do nosso povo, tereis de trabalhar e educar-se como aquelas que em seu tempo querem ser também as mães do nosso povo, as esposas dos nossos homens. Os homens que formarão o porvir do povo alemão, necessitam mulheres de vossa condição. Mulheres que estejam dispostas com profunda convicção e valentia, a compartilhar com seus maridos todos os sacrifícios e todos os rigores da vida. Esta é uma elevada aspiração para cada uma de vós, pela qual bem merece a pena fazer-se forte, disposta e capaz, durante muitos anos, e conservar-se e permanecer pura, para poder cumprir deveras esta missão”.
Por geral, a jovem alemã se sente satisfeita se pode trabalhar até seu casamento em uma oficina, comércio ou fábrica, para desta maneira aliviar a carga de sua manutenção a sua família. Geralmente contribui com uma parte de seu salário aos gastos de casa, e, além disso, ela mesma custeia os pequenos desembolsos destinados a suas necessidades pessoais e o seu recreio. A jovem alemã sente uma grande inclinação para a assistência aos enfermos, cuja função requer na Alemanha a inscrição a distintos cursos de estudo e uma instrução prática, durante um tempo relativamente longo.

Uma das jornalista alemãs mais populares do país, Eva Herman, reconheceu em público que o Nacional-Socialismo possuía uma política familiar admirável, oque lhe causou bastante perseguição.

Quando a jovem alemã contrai matrimônio, abandona alegremente seu oficio, ainda que ofereça os melhores auspícios econômicos imagináveis, para dedicar-se por inteiro ao seu lugar e à sua família. A maioria dos casamentos celebrados com ajuda do empréstimo matrimonial que, como já foi dito, somente se concede no caso da mulher renunciar a toda atividade profissional, pode servir de demonstração do que acabamos de dizer. O Nacional-Socialismo determinou exatamente a função da mulher e seus deveres para a coletividade. O mundo da mulher e do homem. A natureza os fez a repartição justa, colocando o homem à frente da família e o impondo, ademais, como uma obrigação de maior proteção ao povo, à totalidade. O mundo da mulher feliz reside na família, na convivência com o marido, filhos e no lugar; desde ali pode levantar logo a vista até a totalidade de seu povo. Ambos os mundos constituem juntos uma só unidade, dentro da qual vive e se mantém um povo.

À parte dessa missão natural da mulher, o Nacional-Socialismo não intervém em nenhum modo para induzi-la a invadir a esfera de atividade do homem. Apesar disso, o Nacional Socialismo protesta contra a imputação muito comum no estrangeiro, de que não se querem conceder liberdade nem igualdade de direitos à mulher. Em um dos seus últimos discursos, disse o Führer:
“Mesmo que dispuséssemos de homens fortes e saudáveis (e disso cuidaremos nós, nacional-socialistas), não se formará na Alemanha nenhuma companhia feminina de combate, nem nenhum batalhão feminino de atiradoras. Isto não seria igualdade de direitos, senão inferioridade dos direitos da mulher”.
Um campo de ação incomensuravelmente amplo se oferece para a mulher na nova Alemanha. Desde logo, não se trata em modo algum de fazer-se renunciar o exercício de profissão. Somente se pretende proporcionar-lhe em ampla escala a possibilidade de contribuir à fundação de uma família e ter filhos, já que assim beneficia ao povo de melhor maneira. Se atualmente um jurisconsulto feminino demonstra sua capacidade no foro, e a seu lado há uma mãe que criou por si mesma cinco, seis ou sete filhos, o labor e o sacrifício desta mãe, conforme os conceitos nacional-socialistas sobre o valor eterno de um povo, vale muito mais que a realizada pela primeira mulher. O Estado, segundo a opinião de Hitler, tem o dever de fazer possível ou, pelo menos, de facilitar a todo homem e a toda mulher casar-se segundo as ordens do coração. O Governo se esforça na solução deste problema por meio da legislação, com o propósito de criar uma raça que, acima de tudo, seja forte e sadia.

A designação de homens e mulheres às funções peculiares de seu sexo, não implica nenhum menosprezo para a mulher. Não faz mais que estabelecer as diferentes condições naturais e está muito distante de relegar a mulher a um plano secundário. A missão da mulher alemã no novo Estado é muito superior à de ser, tanto na política como na profissão, um fator de competência para o homem. Igualmente é falsa a suposição de que a atividade da ama de casa seja improdutiva. Esta é uma frase que na Alemanha da época anterior chegava a ouvir-se com bastante frequência; tal frase somente podia engendrar-se no pensamento de uma época que por produtividade, não entendia outra coisa que a vantagem pessoal e da própria família, uma vantagem que poderia contar-se ou palpar-se, mas nunca o interesse superior da totalidade do povo, que por sua vez também beneficia indiretamente ao individuo particular.

A Associação feminina nacional-socialista e a obra feminina alemã tiveram suas origens nos dias de luta do partido como organização de mulheres nacional-socialistas. Sua estrutura geral é paralela a do Partido: à frente da mesma está a Sra. Gertrud Scholtz-Klink. As divisões inferiores estão organizadas em células regionais, de distrito e locais, em blocos. O número que mulheres chega ao total de onze milhões.

Gertrud Scholtz-Klink (1902 – 1999) foi chefe da NS-Frauenschaft e mãe de 11 crianças. Juntou-se ao NSDAP em 1929 e, em 1933, Adolf Hitler nomeou-a líder da Liga de Mulheres Nacional-Socialistas. Em 1940 casou-se com o quem seria seu terceiro marido, August Heissmeyer. Após a guerra, ela foi detida pelos soviéticos, mas conseguiu escapar dentro de pouco tempo de sua captura, passando os próximos 3 anos vivendo sob falsos nomes na Alemanha. Em 1948, um tribunal francês a condenou a 18 meses de prisão pela acusação de falsificação de documentos e em 1950, recebeu mais 30 meses e foi banida por 10 anos da área do ensino, jornalismo e proibida de exercer qualquer atividade política. Na sua morte, Klink nunca perdeu seus pensamentos sobre o nacional-socialismo e ainda apoiou a ideologia. Ela morreu em 24 de março de 1999, na Turíngia, Alemanha.

Com a chegada de 30 de janeiro de 1933, ficou livre o caminho para a realização do programa fixado de antemão: a obra feminina alemã surgiu com o objeto de reunir as numerosas associações femininas, pequenas e grandes, que estavam carentes de uma direção unitária e de uma base ideológica. A Obra feminina alemã representa atualmente o grande lugar comum para todo o sexo feminino alemão. A ela, pertencem todas as organizações, associações e afiliadas particulares, que tomam uma parte ativa na obra comum do povo. A ama da casa e a estudante universitária, a professora e enfermeira, a trabalhadora e a artista, estão agrupadas em uma só comunidade de trabalho.

Por trás de ventosas árvores da rua Derfflinger, no oeste de Berlim, se encontra o novo edifício da Associação Feminina Alemã. Compreende quatro seções administrativas e cinco grandes seções principais de trabalho. As seções administrativas têm a seu cargo a administração das seções diretivas, a organização geral da imprensa e propaganda. Alguns dados sobre as cinco seções principais de trabalho contribuirão ao leitor com uma ideia da atividade extraordinária desta instituição.

“A seção de ‘Cultura, Educação e Instrução’ tem como campo de ação: a instrução ideológica (a ela pertencem as duas escolas normais de trabalho em Coburg e Berlim, assim como as 32 escolas regionais para as chefes femininas, que até agora compreendem 100 mil moças e mulheres), biologia, cultura física, educação da juventude feminina, belas artes aplicadas, literatura, jogos populares e recriação durante as horas livres.

A seção de Assistência maternal tem em sua jurisdição: Educação da mãe, higiene, cuidado com as crianças de colo e educação, arrego do interior do lugar e gestações sociais.

A seção de ‘Economia nacional e caseira’ compreende os setores: Economia nacional, economia caseira, alimentação, instrução para as amas de casas, indumentária e habitação. Esta seção tem a seu cargo a direção de todas aquelas questões de política econômica que atenham à mulher em sua qualidade de administradora da casa e consumidora.

A seção ‘Estrangeiros e povos fronteiriços’ tem a missão de aconselhar e instruir as estrangeiras, e tem a seu cargo manter as relações com os setores femininos dos países fronteiriços e das colônias de ultramar.

A seção de ‘Serviços auxiliares’ estão compreendidas a ajuda feminina da Cruz Vermelha, a colaboração na ação de Beneficência nacional-socialista, no ‘Auxilio de Inverno’, na obra ‘Mãe e filho’ e na Associação nacional de defesa aérea”.

A qualidade de afiliada da Associação feminina alemã proporciona a todas as mulheres a possibilidade de contribuir com seu trabalho e sua atividade a serviço de alguma destas seções, e com isso ao da coletividade.

Uma menção especial merece a obra nacional de assistência materna. Sua missão é a de facilitar o futuro das mães, os conhecimentos ideológicos e práticos necessários, que é uma condição elementar para a criação de uma família forte e sadia. A Organização Feminina descartou toda atividade teórico-rotineira, adotando, em seu lugar, uma forma prática. A mulher recebe assim aqueles conhecimentos que lhe permitirão a aplicação adequada de sua força espiritual, e com isto virá a constituir para a nação uma geração de mães conscientes das necessidades de seu povo.

A educação pré-maternal tem a seu cargo a preparação tanto física quanto espiritual de mães aptas e compenetradas da responsabilidade que lhes incumbe, e que possam atender ao cuidado e educação de seus filhos, como também estão à altura de sua missão enquanto os deveres de casa. A educação compreende três grupos de ensinamento: Administração da casa, com cursos de cozinha e técnicas de costura; higiene, com cursos sobre o tratamento das crianças e higiene geral e cuidado médico caseiro, e, por último, cursos sobre educação, com instruções para trabalhos manuais, decoração do interior do lugar e lições sobre costumes populares.

Os cursos duram várias semanas. O numero de participantes cresce continuamente. Em 1935 participaram em torno de 186 mil mulheres. Em 1937, seu número subiu para mais de 1 milhão. O número de escolas para mães se eleva a 220, completando outras quatro especialmente para as mulheres pertencentes aos territórios assolados por calamidade pública, que não podem seguir com os cursos, mas que estão capacitadas para propagar seus conhecimentos entre sua vizinhança. Além disso, existe em Wedding-Berlin uma escola nacional para as mães, destinada a ser a oficina central e organizada, especialmente para a instrução de mestras.

Os mesmos cursos regem no campo da economia nacional. As mulheres e moças devem aprender a empregar aqueles bens adquiridos por meio do trabalho, em tal forma que possa justificá-lo ante a situação total de seu povo. Desta maneira, será possível transformar uma existência penosa em uma vida bela e alegre. Com este fim, as jovens são educadas previamente no Serviço Feminino do trabalho obrigatório.

Além da Obra Feminina Alemã, a Associação Feminina da Frente alemã de trabalho, a qual corresponde da missão especial da instrução político-social da mulher, que consiste na luta pela honra do trabalho feminino e pela proteção da mãe trabalhadora. A diretora desta Oficina é a chefe nacional da Associação feminina, Sra. Scholtz-Klink. A Oficina feminina procedeu, entre outras coisas, a implantação de quatro disposições: o intercâmbio de postos de trabalho, o relevo periódico nos trabalhos pesados, o acordo com a Beneficência social nacional-socialista em favor das trabalhadoras em estado de gravidez, e a concessão de uma licença complementar para estas e sua substituição por moças estudantes.

A Cruz de Honra das Mães Alemãs (Ehrenkreuz der deutschen Mutter ou Mutterkreuz) foi uma condecoração destinada às mães com vários filhos. Uma mãe poderia receber a condecoração nas classes de bronze, prata ou ouro, dependendo da quantidade de filhos que gerara. Mulheres das regiões anexadas pelo Terceiro Reich (como a Áustria e Danzig) também eram elegíveis à premiação e foi Instituída em 16 de dezembro de 1938, por iniciativa de Adolf Hitler.

Por meio do intercâmbio de colaborações, as mulheres cuja subsistência esteja assegurada de modo mais leviano, serão substituídas por homens. Isso se realizaria em sua maior parte, dando trabalho ao marido ou aos filhos a falta do mesmo. Outra forma de intercâmbio consiste no translado das mulheres a postos de trabalho ligeiro, e dos homens ao pesado. Isto foi levado a cabo em grandes proporções, e ali onde o trabalho do homem é executado, em casos especiais, pela mulher, que procurou nivelar seu salário com o do homem.

Até a nova reforma da Lei de proteção da mulher, a Oficina Feminina havia estabelecido um acordo com a Beneficência social nacional-socialista, segundo a qual as mulheres poderiam abandonar o trabalho quatro ou seis semanas antes do parto, recebendo, além de seu salário, um subsidio complementar. A substituição das trabalhadoras pelas estudantes tem sua origem no desejo de descanso mais prolongado, com gozo do salário completo, além da permissão que lhe corresponde por direito. Até agora, 2.600 moças estudantes e outras afiliadas da Associação Feminina Nacional-Socialista apresentaram serviço nas fábricas, proporcionando com isso às mulheres trabalhadoras ao redor de 43.000 dias de descanso suplementar, com pagamento integro de salário.

A Sra. Scholtz-Klink é ao mesmo tempo chefe nacional da Liga nacional feminina da Cruz Vermelha alemã. Deste modo, também esta instituição internacional recebe um impulso extraordinário. Em virtude de um convênio especial, a Cruz Vermelha alemã tomou a seu cuidado a instrução das afiliadas da Associação feminina nacional-socialista para sua formação como pessoal auxiliar feminina. Desta sorte, o serviço de sua colaboração poderá absorver uma corrente de mulheres, dispostas ao cumprimento de suas obrigações políticas e previstas de um espírito de responsabilidade para a coletividade do povo, com maior razão, porque a mulher alemã, como temos mencionado já, possui uma inclinação natural para a assistência aos enfermos. As enfermeiras da Cruz Vermelha trabalham em colaboração com os elementos femininos da comunidade nacional-socialista de Beneficência social, em assistência aos enfermos e aos jardins de infância, e prestam seus serviços em ocasião de manifestantes populares, reuniões políticas no aeródromo de Tempelhof em Berlim, nos Congressos do Partido em Nuremberg, nas reuniões de Bückeberg, etc. Atualmente, a Cruz Vermelha alemã tem a seu serviço 91 mil enfermeiras e ainda há muito que se fazer. Os trabalhos realizados durante estes seis dias demonstram claramente que a obra acabará por ser terminada e desaparecerão muitos dos obstáculos atuais.

A Sra. Scholtz-Klink me dizia em uma ocasião:
“Nós prosseguimos nosso próprio caminho, caminho este que nos conduz a nós mesmas; nossa própria estima nos faz continuar consequentemente por este caminho. Não devemos tropeçar nos obstáculos à frente, mas sim fazer deles os degraus para escalar mais acima ainda. Esta atitude nossa deverá ser apreciada também por todos aqueles homens que amam a seu povo da mesma maneira que nós amamos ao nosso”.

Fontes e referencias:

– ESTÉS, Clarissa Pinkola. “Mulheres que correm com os lobos – Mitos e histórias do arquétipo da Mulher Selvagem”. 1 ed. Rio de Janeiro: 2014. ISBN: 978-85-325-2944-2 (2)

– VELASCO, Eduardo. “Esparta y su lei”. 1 ed. Editora Camzo, Coleção Origenes, 2013, Espanha.

– SANTORO, Cesare. “Alemanha de Hitler como vista por um estrangeiro”. 1 ed. Thus, International Verlag, 1938, Alemanha.

A importância da Tradição Parte I e II

Pitágoras, em seus versos de ouro, proferia os seguintes dizeres:
“1. Primeiro, adora os Deuses Imortais, como eles estabeleceram e ordenaram na Lei.”
“2. Reverencia o Juramento, e a seguir os Heróis, plenos de bondade e luz.” [1]

Qual a necessidade de observar os homens e seus feitos, alguns até perdidos na vastidão do passado? Qual a influência que esses homens podem exercer? Por que Pitágoras sugere que reverenciemos os heróis, logo após adorarmos os deuses? É disso que trataremos aqui.

Em todas as épocas, e em todos os povos, sempre houveram homens que se destacaram entre os demais enquanto vivos e que por conta disto eternizaram-se no pensamento popular, ou, ainda que não percebam, no cotidiano da vida nacional. Os ícones de que falo transcenderam a mera existência terrena.

Sabendo que os homens movem-se por interesses próprios [2], aqueles servem como fonte de inspiração, uma vez que fundiram-se com a tradição. Mas afinal, o que seria a tradição? É “o olhar que se deita para trás, a fim de buscar inspiração no que os nossos maiores fizeram de grandes e imitá-los ou superá-los” [3]. Não se trata de mero historicismo como propagam algumas das doutrinas internacionalistas dos séculos passados, tampouco de um saudosismo ilógico. Trata-se de reconhecer no passado algo que há muito interessa o presente, seja nos exemplos de ações e não-ações, ou de condutas morais.

Soldado ao pé da estátua do rei Leônidas de Esparta, erguida em Termópilas, onde com 300 dos seus e 700 tebanos, entrincheirou centenas de milhares do exército persa, salvando a Europa da queda total

A importância que a tradição possui não é mera invenção de patriotas, políticos ou mesmo dos nacionalistas do século XX, que muito a utilizaram como fonte revigoradora. No raiar do conflito entre gregos e troianos, quando Menelau, rei de Esparta, fora pedir ajuda a seu irmão Agamenon, rei de Micenas, para reunir um exército que fosse capaz de invadir a “Troia dos telhados de ouro”, este dera um conselho valiosíssimo ao espartano traído. Agamenon sugerira que , antes de procurar o auxílio dos reis jovens e ricos da Grécia, fossem buscar o apoio de Nestor. Este, por sua vez, fora “abençoado” pelo deus Apolo com uma longa vida (ao tempo da guerra, segundo a lenda, o mesmo já possuía 200 anos). Devido a sua experiência e conhecimento em batalha, adquirida através de eventos e guerreiros de outrora, a sua participação na guerra era imprescindível à ambos os reis, pois, tendo Nestor ao seu lado, os demais reis das cidades-estados da Grécia haveriam de ver grandes possibilidades de vitória. Não estavam errados, pois os conselhos do ancião foram de suma importância para a queda de Troia:
“Agamenon então sugeriu que, antes de qualquer outra providência, Menelau partisse sem demora para Pilos, a fim de convencer o velho Nestor a aderir à expedição contra Troia. O poderoso Apolo, o senhor dos ratos e da peste, o deu de todos os oráculos, havia concedido ao nobre Nestor o privilegio de viver o tempo de três gerações humanas completas; por esse motivo sua opinião e seu conselho eram ouvidos por todos, fossem chefes ou reis importantes, que reconheciam a sabedoria e a prudência sem par do mais velho de todos os guerreiros (…) Agamenon considerava indispensável que ele se juntasse às forças unidas da Grécia.” [4]
Entretanto, por vezes há certa confusão quanto ao “culto” da herança nacional. Isto se dá, muitas vezes, pela ideia errônea de que as pessoas possuem a respeito de nação. A tradição é a semente que gera a nação, e portanto é necessário que haja uma breve explicação quanto a esta última.

Ramon Bau já assinalava o principal equívoco do senso comum com relação ao conceito de nação:
“Geralmente, associam nação à um mero legalismo, marcado por fronteiras históricas totalmente discutíveis, produto de manejos dinásticos, guerras, alianças ou tratados tomados sem pensar, na comunidade popular, acreditando-se apenas na ambição territorial.” – Ramon Bau (Nossas Ideias, p.45 ) [5]
Na obra “O Triste Fim de Policarpo Quaresma” de Lima Barreto, o famoso patriota , ao final do livro, encontra-se num dilema moral e filosófico fruto de sua decepção com o governo de Floriano Peixoto. Ao ver-se preso, e tendo frustrado suas ambições em prol do país, Policarpo acaba por questionar o próprio conceito de Pátria, assim como sua importância, recorrendo ao mero legalismo de que já citava Ramon Bau; é o que vemos, por exemplo, nesse trecho:
“Reviu a história; viu as mutilações, os acréscimos em todos os países históricos e perguntou de si para si: como um homem que vivesse quatro séculos, sendo francês, inglês, italiano, alemão, podia sentir a Pátria?
Uma hora, para o francês, o Franco-Condado era terra dos seus avós, outra não era; num dado momento, a Alsácia não era, depois era e afinal não vinha a ser.
Nós mesmos não tivemos a Cisplatina e não a perdemos; e, porventura, sentimos que haja lá manes dos nossos avós e por isso sofremos qualquer mágoa?
Certamente era uma noção sem consistência racional e precisava ser revista.” (Policarpo Quaresma em, O Triste Fim de Policarpo Quaresma, p.236. Lima Barreto) [6]
Pobre Policarpo! Devido as suas frustrações correu para grave equívoco. Equívoco natural, por assim dizer, afinal é comum , infelizmente, que caiamos nesse erro de considerar a nação apenas um espaço determinado por fronteiras imaginárias. Quanto a isso, Pedro Varela já advertia:
“Não se deixe influenciar pelas fronteiras artificiais. A nação é delimitada pela história, cultura, tradição e raça. Elas são muito mais do que linhas pintadas sobre um mapa ou meros acidentes geográficos (…) A nação é um conceito étnico mais antigo do que um conceito legal” – Pedro Varela (Ética Revolucionária, p.29) [7]
Em mesmas considerações estabelece Plínio Salgado:
“A personalidade de uma Pátria não se baseia apenas na conformação cartográfica ou na fisionomia do seu espaço físico, pois se tal se desse, teríamos um corpo sem alma; ela compreende também as origens da Nação e o seu desenvolvimento intelectual, moral, espiritual, através do tempo.
Espaço e tempo- eis os materiais em que trabalha o espírito de um povo na construção de uma Pátria.”- Plínio Salgado (Nosso Brasil, p.30) [8]
Segundo Edmund Burke:
“Uma nação é uma essência moral e espiritual ; é uma cultura firme… não um arranjo geográfico, ou uma denominação do nomenclador”.
Além desta plêiade de homens lúcidos, há vários outros que se manifestaram em idênticas considerações.

Apesar disso, sempre vemos nos meios sociais grupos que decaem no mesmo erro de Policarpo.

Se o personagem de Lima Barreto tivesse refletido além do que o seu desespero permitia, talvez tivesse chegado a mesma conclusão daqueles autores, de onde poderia tirar novas ideias para o seu nacionalismo, e buscar novas soluções para os problemas de que o Brasil enfrentava e enfrenta- como veremos mais adiante.

A verdade é que a tradição representa o caráter da nação, mantendo-a viva através de toda sua cultura, através de todos os seus costumes, por mais simples que possam parecer. Justamente por isso é tão alvejada. Quando um povo esquece sua tradição, tende a esquecer o seu papel no mundo e acaba por perder-se num vazio de atos, demonstrando sua insignificância como civilização.

Certa vez estudando o tema em voga, deparei-me com a melhor descrição sobre tradição que já vi em minha, ainda curta, vida:
“Um grande patriota francês escrevia pouco antes da outra guerra [I Guerra Mundial] estas palavras dignas de meditação no momento presente: ‘Pensamos sempre que uma nação só pode ser vencida pela força das armas e é um erro. Ao lado das feridas que fazem correr o sangue das veias, há outras mais perigosas, as que fazem correr o sangue da alma. Onde está a alma dum povo? – Nas suas tradições’. Desde que empunho uma pena, usando-a no jornal e no livro, não me tenho cansado de reviver, defender e glorificar as tradições de nossa pátria. Na maioria, os volumes que tenho publicado ensinam a amar e cultuar essas tradições, das quais o Museu Histórico, fundado por mim, é um verdadeiro sacrário.
Quando se diz que, nas guerras, as forças morais sobrelevam as forças materiais, indica-se implicitamente a tradição das pátrias, razão espiritual de sua existência e de sua perpetuidade. Penso no caso exatamente como o patriota e escritor francês que citei: uma nação é como uma floresta. Do mesmo modo como as árvores que a compõem vão procurar com suas raízes o húmus acumulado no solo por sucessivas gerações de folhas caídas em cada outono, um povo vive do húmus moral formado pelas virtudes, heroísmos, aspirações, dores e esperanças das gerações de homens que, umas depois das outras, juncaram o caminho dos séculos.
‘Dessas virtudes, heroísmos, aspirações, dores e esperanças se constitui um ideal que é o ideal nacional’, escreve Copin-Albancelli. ‘Cada povo tem o seu e é nele que reside a sua tradição. Ali se contém a seiva elaborada pelas grandes gerações desaparecidas, o alimento que elas prepararam para as gerações vindouras, de modo que estas existirão porque aquelas existiram. Portanto é revolvendo a sua memória, as tradições seculares, a saudade das gerações mortas que a geração viva dum povo encontra a fonte que deve alimentar sua vida. Sem dúvida, essa geração viva precisa respirar o sopro das ideias que passam por sua atmosfera, do mesmo modo que as frondes das árvores precisam respirar os princípios contidos no ar que as acaricia ou agita. Mas não pode prescindir de suas tradições, que lhes são tão indispensáveis que, se se interromper num povo a comunicação entre as gerações que morreram e as que estão vivas, isto é, se se apagar a lembrança de suas tradições ou se lhe ensinarem a desprezá-las ou odiá-las, sua alma morrerá como morre a árvore cujas raízes transmissoras de seiva forem cortadas’.
Nossa querida pátria atravessa uma época de ameaças e perigos. (…) Às ameaças e aos perigos devemos fazer frente escudados na nossa tradição. Leiamo-la nas páginas de nossa história, aprendam-la na lição que nos legaram os nossos antepassados.” – GUSTAVO BARROSO [“Caxias” (Coleção Nossos grandes mortos, nº 5), 2ª edição, Rio de Janeiro, Livraria Agir Editora, 1953, pp. 27-28]” [9]
Tais palavras não poderiam ser de outro, senão de um dos maiores tradicionalistas que o Brasil já teve.

Cotidianamente somos atacados pela mídia por ideias que vão de encontro com os nossos costumes; ideias que coadunam com o globalismo tão presente na contemporaneidade. Isso não há de ser em vão.

Dizia Sun Tzu:
“Se você conhece tanto o inimigo quanto a si mesmo, não precisa temer o resultado de 100 batalhas. Se conhece somente a si mesmo e não seu inimigo, para cada vitória conseguida também sofrerá derrota. Se você não conhece nem a si mesmo nem o inimigo, perderá todas as batalhas” (A Arte da Guerra, p.41) [10]
É importante para quem deseja dominar que o dominado esqueça de quem é, e não reconheça em nada o seu passado. Outro grande estrategista, Maquiavel, apontava conselhos de similar categoria:
“Arrogue-se o príncipe em chefe e defensor dos mais fracos e procure enfraquecer os poderosos da própria província, além de se precaver contra a entrada de algum estrangeiro tão poderoso quanto ele. Pois sucederá sempre que os moradores da província, tocados por ambição ou temor, chamem poderosos estrangeiros” [11]
Fazendo uma analogia com o que fora dito por Maquiavel, não poderiam os povos, diante de boa parte dos seus problemas, convocar a memória de algum antepassado de grande renome e bravura? Já vimos que, não só poderiam, como seria aconselhável. Maquiavel não poderia imaginar o que vivenciamos no século XXI, mas se assim soubesse, saberia, pelas palavras do francês citado por Barroso, que as feridas na alma dum povo são mais profundas do que as feridas carnais. Há outras maneiras de vencer um povo além do uso das armas. Para ser mais exato, esta forma de dominação hoje é secundária. O próprio Gustavo Barroso já advertia sobre isso:
“Tivemos, antigamente, o imperialismo militar, das nações fortes, que reduziam países livres a condições de escravidão. Em seguida, tivemos o imperialismo das nações econômicas, que conquistavam mercados para seus produtos”- Gustavo Barroso (Brasil: Colônia de Banqueiros, p.24) [12]
Além do imperialismo militar e econômico, há hoje tão em voga, com o advento da expansão midiática, o imperialismo cultural, reflexo do globalismo burguês que vem manifestando-se sobretudo na Europa, mas também há reflexos seus em todo os continentes , através de produções hollywoodianas, marcas comerciais, músicas etc.

Se é de suma importância o papel da tradição , perdê-la há de ser a pior das mortes. Vimos que a tradição é , também, a alma dum povo. Pois bem, o próprio Cristo já nos ensinava que a morte espiritual sobrepõe a morte física. A morte física é um momento. A espiritual é perpetua. A morte física é apenas a passagem de uma vida para outra. A morte espiritual existe ainda que o homem esteja presente nesta.

Vale mencionar o enorme desrespeito que seria isso com todos aqueles que sacrificaram e/ou dedicaram suas vidas para construir um patrimônio cultural digno. É dever dos filhos honrar o legado de seus pais, e aquele que o oposto faz não merece ter recebido daqueles a chance de vir ao mundo. Logo, honrar os ancestrais através do culto às tradições é mostrar que eles vivem no presente, independente de quais fossem suas condições financeiras, filosóficas ou o que seja, pois apesar das divergências estavam todos unidos sobre algo muito maior do que eles mesmos: as ações que criaram um futuro para seus descendentes.

Destruí-la é ainda contra a vontade do Criador:
“A diversidade dos povos do planeta forma parte da grande riqueza da Criação e aqueles que querem destruí-la, eliminando toda cultura autóctone, atentam contra a obra do Todo Poderoso. “- Pedro Varela
Contudo, por mais paradoxal que possa parecer, é através da tradição que combatemos as ideias que atentam à esta, de modo que quanto mais oculta ela se encontra, mais poder de agir ela possuirá nas almas dos que a encontrarem. Isso não é algo para espanto, pois como vimos a tradição é uma espécie de escudo aos homens.

NOTAS E REFERENCIAS

[1]- PITÁGORAS, Os Versos de Ouro. 1 ed. Editora Edipro, 2017

[2]- ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. 1 ed. Editora Martin Claret, 2015

[3]- BARROSO, Gustavo. Espírito do Século XX. 1 ed. Editora Civilização Brasileira, 1936.

[4] – MORENO, Cláudio. Troia – o Romance de uma Guerra. Editora LMpocket, 2004.

[5] – BARRETO, Lima. Triste Fim de Policarpo Quaresma. 1 ed. Editora Typ. Revista dos Tribunaes, Rio de Janeiro, 1915.

[6] – FRADERA, Ramón Bau. Nuestras Ideias. 1. ed. Editora Thule. Barcelona, 2009.

[7] – VARELA, Pedro. Ética revolucionaria. 2 ed. Editora Thule, 2009.

[8] – SALGADO, Plínio. Nosso Brasil. Editora Voz do Oeste, 1981.

[9] – BARROSO, Gustavo. Caxias. Livraria Agir Editora. Coleção Nossos Grandes Mortos. 5 ed. 1945.

[10] – SUN, Tzu. A Arte da Guerra. Jardim dos Livros LTDA. São Paulo, 2012.

[11] – MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. 8 ed. Jardim dos Livros. São Paulo, 2017.

[12] – BARROSO, Gustavo. Brasil: colônia de banqueiros. 1 ed. Editora Revisão, Porto Alegre, 1989.

Nessa segunda sessão, o autor disserta sobre a concepção da tradição com fonte na Itália fascista e na Alemanha hitlerista, épocas auge do nacionalismo da então Nova Europa.

A Tradição como fonte na Itália Fascista

Foi com base em pensamentos dessa espécie que, ao tentar revigorar as pátrias alquebradas, os diversos líderes nacionalistas do século XX mergulharam no passado de seus respectivos países, com o intuito de buscar em seus antepassados a alma vivente que em nosso século há muito foi vendida ao ouro burguês.

O Fascismo, tendo o espírito romano como nevrálgico, conseguiu estabelecer o primeiro grande movimento espiritual do século passado [1]. Numa Itália cada vez mais influenciada pelo internacionalismo comunista, Mussolini soube utilizar a tradição como uma fonte de oposição a estas ideias.

O mais interessante é que, embora acusado por alguns de possuir elementos pagãos, os fascistas prestaram um grande favor a Igreja Católica, herdeira de Roma e progenitora de diversas nações. Quanto a isso, vale lembrar:
“Lá [Itália], o individualismo atingira a anarquia e o liberalismo governamental a inércia. Pouco faltava para o salto revolucionário apregoado e defendido pelos teoristas do marxismo. Imaginai o quadro…Roma, a capital do Cristianismo, tornada capital do materialismo comunista, o Santo Padre escarnecido e morto, o colégio dos cardeais fuzilado de encontro aos muros do castelo de Sant’Angelo, a basílica de S. Pedro saqueada e incendiada (…) Pensai no colapso do mundo cristão (…). Era o fim de tudo, a consumação dos séculos de que falam as profecias, com a vitória do Anti-Cristo! Mas a figura de Mussolini apareceu com a palavrão e a ação salvadoras. Foi a Joana d’Arc desse período angustioso”- Gustavo Barroso [2]
Essa ação a que referia Barroso não acontecera por acaso. Fora influenciada pelo credo de patriotismo que possuía o Fascismo. Patriotismo, por sua vez, não deve ser associado com o estado de inércia, mantendo a situação como está, negando a necessidade de revoluções que mostram-se necessárias. A inércia apenas afemina o homem. [3]

Um patriota não deve querer conservar uma sociedade decadente. Também não deve desejar construir um mundo novo destruindo tudo que há de bom no antigo [4], porque ao contrário deve construir o novo resguardando o que há de útil no sistema de outrora.

Tampouco, a ideia de revolução deve ser associada impensavelmente nos internacionalismos flácidos [5]. Quando se pensa em revolução, passa pela cabeça de uns a necessidade de negar o que foi posto até então, como se a obra por completa fosse falha.

Há de ser necessário a compreensão do que precisa mudar, e nesse sentido há de ser o patriota anti-conservador; mas também faz-se necessário a compreensão do que deve manter-se como está ou, ainda mais, deve melhorar, e nesse aspecto será o patriota conservador. É preciso ter a maturidade para analisar e julgar os acontecimentos.

E pensando nisso, Mussolini utilizou a carga histórica de Roma, sob o símbolo do “fascio”, como uma fonte capaz de garantir ao povo italiano motivo de orgulho do seu passado e nação, assim como de união, mas também de força para combater seus inimigos, como foi dito anteriormente na reação contra os comunistas:
“A tradição romana é nele [fascismo] uma ideia-força. Na doutrina fascista, o Império não é só expressão territorial, militar ou mercantil, é espiritual e moral”- Mussolini [6].
Dizia, também, Mussolini:
“O homem do Fascismo é o indivíduo que é nação e pátria, lei moral que une conjuntamente indivíduos e gerações numa tradição e numa missão, que suprime o instinto da vida encerrada no breve instante do prazer para instaurar no dever uma vida superior, liberta dos limites do tempo e do espaço” [7].
A simbologia do movimento traduz isso: é a reunião de varas num feixe sob a proteção do machado.

A Tradição na Alemanha Hitlerista

Na Alemanha, porém, a situação era diferente. Por ser a questão germânica mais complexa, cabia aos nacionais-socialistas buscar auxílio além da tradição, capaz de contemplar todos os infortúnios e solucioná-los. Sobre isso, dizia Gustavo Barroso:
“Na Alemanha liquefeita pelo liberalismo, o movimento de Hitler teve de buscar um apoio ainda mais profundo do que a simples tradição jurídica e política. E este foi a Raça. O “racismo” corresponde a uma realidade alemã do mesmo modo que o romanismo imperial corresponde a uma realidade italiana. Além disso, a Itália está com quase todas as populações verdadeiramente italianas sob a sua bandeira. A Alemanha não. Há alemães nos corredores de Danzig, na Polônia, na Áustria, fora dos limites do Reich [8]. Se o nacional-socialismo se limitasse a tradição duma Alemanha política e histórica, estaria errado. Para estar certo, para corresponder exatamente à realidade, ele é obrigado a basear-se numa Alemanha racial.” [9]
Não é que os alemães vejam com indiferença a tradição, pois segundo o mesmo autor, em mesma obra:
“Em tudo, tanto Mussolini quanto Hitler, aprofundaram as mais remotas origens de suas gentes, exaltando de todos os modos a ideia de dum passado superior, para sobre essa base construir o futuro”

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A verdade é que é natural que os movimentos nacionalistas vejam nos demais um exemplo, ou até mesmo algo a copiar. No entanto, todo movimento nacionalista deve adequar-se a realidade social de seu país. Nesse sentido, ele há de ser universalista, mas não internacionalista. [10]

Os alemães estenderam sua concepção de nação, dando a alma nacional um espírito para além da tradição. Tal fato, entretanto, não refuta o aspecto vivificador atribuído àquela, somente evidencia a preocupação do Reich em complementar, aperfeiçoar, aquilo que é inadmissível não ser preservado, isto é, a união nacional. Relacionando com o que disse anteriormente, souberam eles ser conservadores quando necessário, aperfeiçoando algo que deve ser eterno.

Conseguiram elevar o conceito de identidade nacional e é isto, entre outros fatores, que separam ambos os movimentos- Fascismo e Nacional-Socialismo. Além do mero “ser” fascista, atribuíram ao seu conceito o entendimento de “parecer ser”, explicando como indivíduos de ascendência germânica, embora nascidos em países africanos ou latino-americanos [11], eram considerados pelo regime hitlerista como alemães de fato.

Logo, para eles, tão importante quanto sentir-se identificado com uma nação e/ou tradição é o fato de ser identificado por terceiros como pertencente à ela.

Ramon Bau já defende que:
“Desta forma, como racialistas, desejamos a identificação entre o conceito de nacionalidade com o pertencimento ao povo/etnia correspondente. Por isto, de modo algum nosso nacionalismo deve ser entendido no sentido “fascista”, de nacionalismo estatizado.” [12]
Esse ponto diverge, por exemplo, com o abordado pelo Estado Integralista, que defendia a identificação do Estado com a nação.

Notas e referencias bibliográficas:

[1] – BARROSO, Gustavo. O quarto império. Livraria José Olympio Editora. Ed. Problemas político contemporâneos, n 9. Rio de Janeiro, 1935.

[2] – BARROSO, Gustavo. O integralismo de norte a sul. Editora Civilização brasileira S.A. 1 edição. Rio de Janeiro, 1934.

[3] – Luis de León assim se expressava aos ociosos

[4] – BARROSO, Gustavo. O integralismo de norte a sul. Editora Civilização brasileira S.A. 1 edição. Rio de Janeiro, 1934.

[5] – MOSLEY, Oswald. Ten Points of Fascism: Fascism Explained by Oswald Mosley. Edição Historical Reprint Series. Inglaterra, 1933.

[6] – MUSSOLINI, Benito; GENTILE, Giovanni. La dottrina del Fascimo. Editora Vallecchi Editore Firenze, 2 edição. Florença, 1940.

[7] – Idem

[8] – Rudolf Walter Richard Hess, nascido no Egito, nomeado Delegado do “Führer” (líder, condutor, em alemão) por Adolf Hitler em 1933, tornando-se um político de prestígio. Prestou serviço neste cargo até 1941 quando, ao viajar para a Escócia com o intuito de negociar a paz com o Reino Unido, fora detido e, posteriormente, julgado por crimes de guerra, sendo condenado a prisão perpétua.

[9] – BARROSO, Gustavo. O quarto império. Livraria José Olympio Editora. Ed. Problemas político contemporâneos, n 9. Rio de Janeiro, 1935.

[10] – BARROSO, Gustavo. O integralismo e o mundo. Editora Civilização brasileira S.A. Rio de Janeiro, 1936.

[11] – Como por exemplo: o brasileiro filho de alemães nascido em Curitiba, Paraná, Egon Albrecht.

[12] – FRADERA, Ramón Bau. Nuestras Ideias. 1 editora Editora Thule. Barcelona, 2009.

[13] – SALGADO, Plínio. A quarta humanidade. Livraria José Olympio editora. edição problemas políticos contemporâneos n 3. Rio de Janeiro, 1934.

O conceito da História

“Há duas histórias, a oficial, mentirosa, Ad Usum Delphini, e a secreta, em que estão as verdadeiras causas dos acontecimentos, História Vergonhosa” – Balzac, “Les ilusions perdues”. t. III)

A história não é propriamente uma ciência; é antes uma arte. Muitos espíritos avançados do século XIX se esforçaram para dar À história esse conceito científico. Havia a mais generalizada do cientificismo. Seus esforços, porém, como se anularam ante a concepção atual da história. O espírito do século XX é outro e não admite mais esses exageros do cientificismo generalizado, querendo impor a todos os departamentos e categorias do pensamento humano seus cânones empíricos ou pragmáticos.

A invenção dos fatos, a fixação da datas, a interpretação da dúvidas, o confronto e a análise dos documentos, devem certamente obedecer a princípios rigorosamente científicos. Mas a narração dos acontecimentos e sua fixação precisa no tempo e no espaço, não são a verdadeira história, não formam completamente a história. Além disso, há coisas mais importante, substancial, a projeção dos homens e dos acontecimentos no espelho das épocas, as ideias de cada século, seu espírito, seu gênio próprio. São as mudanças dos aspectos intelectuais do mundo que transportam os critérios dos homens.

Para que a história deixe de ser uma cronologia seca, um rol de fórmulas mnemônicas, é necessário iluminá-la com o esplendor solar das ideias, com a luz maravilhosa da vida espiritual. Assim, a história se reflete melhor na obra dos pensadores, escritores, poetas, dramaturgos e críticos do que na enumeração dos governantes, na série das batalhas ou nos salões dos congressos diplomáticos. Por isso, em geral, o que se aprende na história são movimentos dos corpos sociais, ignorando-se a ação e a vida das almas sociais, das almas do povo. A verdadeira história seria a revelação da vida espiritual dos homens.
“A história é obra representativa – escreve um mestre – e, portanto, deve ser um obra de arte. Não nego os méritos da investigação científica no campo da história. Sobre essa investigação se identificaram os mais belos monumentos da arte, no gênero mais difícil entre os gêneros literários. Entre a obra de arte histórica e a investigação que lhe serve de base, há mesma diferença que entre a anatomia e a escultura estatuária. O escultor precisa conhecer a fundo, cientificamente, a anatomia do corpo humano; entretanto, isso não é o bastante para que sua obra seja considerada científica. Nas formas humanas representadas no mármore, revela-se um espírito, na emoção e nos sentimentos expressos pelas atitudes e gestos da estátua.”
Esta página do magnífico livro “La Guerre Occulte” de Emanuel Malynski e Léon de Poncis termina com essas palavras profundas, que resumem a história da humanidade nos últimos tempos:
“Ainda se tem em vista toda a hierarquia humana, quando o mundo começa a se afastar de Cristo, no Renascimento. Ainda se têm em vista os Príncipes e os Reis, quando se afasta do Papa e do Imperador, na reforma. Ainda se têm em vista a burguesia quando se retiram a nobreza Reis e Príncipes, que são os seus pontos culminantes, na Revolução Francesa. Ainda se têm em vista o Povo, quando se ultrapassa o plano da burguesia de 1848 à 1917, e não se têm em vista senão a borra social guiada pelo judeu, quando se vai além das massas, em 1917”.
Todo esse plano, em todas as nações, foi cuidadosamente elaborado e lentamente executado pelo judaísmo, raramente descoberto e sempre embuçado nas sociedades secretas. Judaísmo e maçonarias criaram um meio social propício à guerra do que está embaixo contra o que se acha em cima, desmoralizando e materializando a humanidade pelo capitalismo “mamônico”, dividindo-a e enfraquecendo-a intimamente pela democracia, separando-a e tornando-a agressiva pelo exagero dos nacionalismos, dissolvendo-a e descaracterizando-a pelo cosmopolitismo, encolerizando-a pelas crises econômicas e enlouquecendo-a com o comunismo. Conhecendo isso, é que se pode dar seu verdadeiro caráter aos acontecimentos históricos e mostrar a verdadeira fisionomia das revoluções.

Até hoje se têm escrito histórias políticas do Brasil. Empreendo, neste ensaio, a história da ação deletéria e dissolvente dessas forças ocultas. Até hoje se escreveu a história do que se via e olho nu, sem esforço. Esta será a história daquilo que somente se descobre com certos instrumentos de ótica e não pequeno esforço. É a primeira tentativa no gênero e, oxalá possa servir de ensinamento à gente moça, a quem pertence o futuro.

Gustavo Barroso

Fonte: BARROSO, Gustavo. História secreta do Brasil vol. I. p. 25 – 27. 1 reedição. Ed. Revisão, 1990. Porto Alegre, RS.