As origens e a proteção capitalista do comunismo

Na China do final dos anos 80, o sistema do “Capitalismo de Estado”, herança dos primeiros anos da Republica Popular, estava ruindo e Deng Xiaoping procurava uma alternativa para substituí-lo. E a ansiada salvação proveio do guru dos neoliberais ocidentais, Milton Friedman, auto-declarado anticomunista, que foi à China para dar uma série de palestras aos dirigentes do Partido Comunista sobre como deveriam reorientar sua economia.

Nunca o sistema comunista chegou a romper com a escravidão dos juros

Quando nossa mídia politicamente correta, do sistema, se refere aos dois grupamentos políticos supostamente digladiantes no cenário nacional e internacional, sempre é mostrado ao público como se ambos fossem diametralmente opostos. Um, de “direita”, seria defensor do livre-mercado, enquanto o outro, de “esquerda”, representaria os ideais socialistas em suas mais variadas formas.

É mostrado ao público que estes dois modelos governamentais representam propostas completamente opostas de direção para o país. Um pretende que o Estado torne-se cada vez menor e menos influente na economia, enquanto o outro é adepto do aumento da influência estatal na sociedade através da criação de diversos programas.

Aparentemente suas propostas são diferentes. Porém, ao observá-las em âmbito mais amplo, econômico, percebemos que não passam de duas variantes do mesmo esquema globalista.

Comunismo e capitalismo, duas faces de um mesmo projeto

A Farsa da economia marxista

O marxismo tal qual ideologia econômica é inexistente. Marx deixa isto bem claro através de sua obra. Quando se refere às questões econômicas em seus vários livros, simplesmente descreve o sistema de produção capitalista, deixando como dica apenas que, em seu modelo de sociedade, será o Estado quem comandará os investimentos, ao invés da sociedade privada. Em essência, isto é tudo que diz.

Este é o motivo pelo qual coexistem sob a mesma nomenclatura os mais diferentes sistemas de controle econômico. Entre estes estão, por exemplo, o chinês e aquele da antiga URSS de Lênin – muito diferentes entre si. De maneira geral, a economia comunista é descrita como sendo uma espécie de “Capitalismo de Estado” – forma pela qual vários autores se referem a ela –, e daí deriva o fato de que seus métodos e fins sejam tão parecidos com os do capitalismo propriamente dito. Nunca o sistema comunista chegou a romper com a escravidão dos juros. Talvez isto aconteça porque, historicamente, seus principais financiadores foram justamente os grandes banqueiros internacionais.

A inexistência de um método econômico marxista pode parecer novidade para muitos. Mas, desde a década de 20, o economista austríaco de origem judaica, Ludwig von Mises, já provava que tal sistema de produção era impossível conforme as próprias bases da economia. Esta informação é facilmente verificada in praxis. Em todos os locais nos quais se tentou implantar o marxismo econômico, o resultado obtido foi, ironicamente, o desastre social.

Além do dano em número de vidas causado durante seu processo de adaptação, as economias submetidas a este sistema ficaram em destroços. Na África, pode ser dito que o PIB total da precária Etiópia comunista resumia-se a míseros $210 dólares. Os sandinistas da Nicarágua destruíram sua já fraca economia, chegando ao ponto de terem uma inflação de quatro dígitos e nenhuma chance de sanar tal problema – os salários da população perderam 90% de seu valor real. Cuba somente não teve o mesmo destino pelo fato de receber todos os anos $5 bilhões de dólares em ajuda soviética. Hoje, após a torneira ter secado, o país enfrenta sérios problemas.

É por este motivo que os mais inteligentes economistas marxistas nunca chegaram a exterminar o capitalismo dentro de suas nações, mas sempre procuraram submetê-lo à tutela do Estado. Segundo dizia Lênin, era necessário que os burgueses lucrassem com o comunismo para que este se tornasse aplicável.

Isto foi seguido à risca por todos os Estados que tiveram sua sobrevida até a queda do Muro de Berlim. Dentro de todos havia um capitalismo subterrâneo, escondido por trás da cortina do socialismo. Neste período, a Polônia, país rico em minérios e com uma forte indústria, sucessivamente necessitava de empréstimos capitalistas ocidentais para manter-se funcionando. Até o inicio da década de 80, tais somas resultaram em uma dívida de $25 bilhões de dólares a seus credores ocidentais, aos quais os poloneses nunca conseguiram pagar. Os dividendos provenientes de sua produção e exportação nunca foram suficientes para isto, tornando-se sempre necessários novos empréstimos desta mesma fonte.

A Polônia enquanto nação marxista durou até fins da década de 80 somente por conta destas grandes somas provenientes de seus financiadores ocidentais. Tal panorama pode ser aplicado a todos os países que estiveram sob o jugo comunista – sempre foi o capitalismo subterrâneo seu principal motor.

É fácil perceber isto com uma simples constatação. Seria muito ingênuo acreditar que as fortunas adquiridas por Boris Berezovsky e outros oligarcas russos que, no instante após a queda da URSS tornaram-se bilionários, já não era acumulada, ao menos potencialmente, através de ações, desde antes de tal evento.

Tal fato pode ser facilmente atestado em uma simples conversa com qualquer economista. Se este for perguntado sobre a credibilidade dos dados econômicos fornecidos pela União Soviética, com certeza responderá que eram todos manipulados e falsificados – fraude sobre fraude. A realidade é que o próprio Estado não tinha controle algum de tudo aquilo que dizia ter, e esta falsificação de resultados era a forma de ocultar isto.

A Comuna de Paris e lorde Rothschild

O Comunismo desde suas origens sobreviveu da subvenção do dinheiro proveniente dos grandes banqueiros internacionais. Durante a famosa Comuna de Paris, em 1871, quando os marxistas tomaram as ruas, a cidade foi palco de roubos, assassinatos, estupros além da tentativa de incendiá-la completamente. Tudo isto foi cumprido segundo as diretrizes assinaladas em 1869 por um dos líderes comunistas franceses, porém de origem judia, Clauserets, quem disse:

“Nós ou nada! Eu garanto-vos: Paris será nossa ou deixará de existir! Ou assumimos o poder, ou mergulhamos a cidade no império do terror!”

 

Enquanto a cidade e seus belos palácios eram incendiados; enquanto os ricos e nobres eram arrebanhados para posteriormente serem fuzilados aos milhares, as propriedades da família Rothschild, incluindo suas agencias bancárias, permaneceram intactas, protegidas por piquetes armados pelos “anticapitalistas”. Não é a toa que o lorde tão veementemente clamava ao presidente francês, Thiers, que não tomasse ações diretas contra os comunistas.

Por que o banqueiro investia tanto em um movimento que, aparentemente, era contra sua principal fonte de lucro, a exploração pela escravidão dos juros? Isto é simples, como já foi exposto acima. Sob a “casca” socialista exterior do regime, os Estados precisariam de um núcleo capitalista para sobreviver. E os Rothschild esperavam ser este financiador monopolista do “Capitalismo de Estado”.

A mesma dinastia bancária, em conjunto com outras, foram os principais financiadores do bolchevismo e da revolução russa desde as capitais financeiras globais, como Nova Iorque, Berlim e outras. É claro que neste momento tinham os mesmos interesses daqueles de décadas anteriores, mas, desta vez, foram vitoriosos em seus anseios.

O filósofo alemão de origem judaica e filho de banqueiro, Heinrich Heine, certa vez disse, “O dinheiro é o deus de nossa época e Rothschild é seu profeta”. Talvez o sucesso marxista se explique justamente por isso, por estarem sendo divinamente financiados e ajudados por um profeta e seu seleto grupo de discípulos banqueiros.

O tardar da Reunificação alemã e a Nova economia chinesa

A cumplicidade e subserviência do comunismo com o capitalismo torna-se clara se for analisado o caso da Alemanha dividida após o final da segunda guerra mundial. Em vários momentos, o Estado marxista oriental estava prestes a cair por conta de sua própria debilidade econômica. Sempre que isto ocorria, era a própria Alemanha ocidental, capitalista, quem salvava sua irmã através de inúmeros empréstimos e doações. Tais acontecimentos acarretaram em um atraso de décadas no processo reunificação do país.

O caso que mais explicita isto ocorreu quando foram presos 300.000 supostos dissidentes políticos do comunismo na porção oriental. Não tardou que estes “criminosos” fossem vendidos por bagatelas de até 50.000 marcos ocidentais per capita à Alemanha capitalista. Tal evento literalmente salvou a porção oriental da bancarrota, em uma clara demonstração da bondade capitalista ocidental para com o comunismo.

Ao contrário do que alguns podem pensar, não é rara esta bondosa e misteriosa ajuda capitalista aos países comunistas. Na China do final dos anos 80, o sistema do “Capitalismo de Estado”, herança dos primeiros anos da Republica Popular, estava ruindo e Deng Xiaoping procurava uma alternativa para substituí-lo. E a ansiada salvação proveio do guru dos neoliberais ocidentais, Milton Friedman, auto-declarado anticomunista, que foi à China para dar uma série de palestras aos dirigentes do Partido Comunista sobre como deveriam reorientar sua economia.

O resultado de tal empreitada é visto hoje, quando observamos à aberração que é o Estado chinês atual, no qual o Partido Comunista controla todo o poder, enquanto a economia, sem muitos rodeios, pode ser descrita como sendo de “Mercado”, liberal aos moldes ocidentais. Tal síntese é o modelo ideal e mais avançado do comunismo – estruturado para durar décadas ou, talvez, séculos. E, hoje, quando se pergunta aos simples cidadãos chineses quem são os homens mais ricos e poderosos de seu país, eles respondem: “os principezinhos”.

Mas, quem são estes? São os filhos de dirigentes do Partido Comunista que, durante a reestruturação da economia chinesa, adquiriram as empresas recém desnacionalizadas a preço de banana ou, até mesmo, gratuitamente. Este tipo de “comunismo”, o mais avançado até hoje maquinado, não passa de um modelo que desde há tempos é conhecido como Plutocracia – o governo dos ricos, dos poderosos, ou seja, dos mesmos que promovem e lucram com o neoliberalismo globalista ocidental.

Daniel Sender

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