O socialismo não funciona nem em um prédio, quanto mais em um país

By Marcelo Faria

O condomínio onde moro tem apenas uma coisa cujo custo é socializado para todos: o fornecimento de água.
Como resultado disso, o prédio ficou sem água pela quarta vez em poucas semanas (para tentar resolver um problema criado pelo excessivo uso de água). O fornecimento de energia, que é pago individualmente por cada morador, nunca faltou e nem deu problema até hoje.
Na medida em que não há incentivo para que cada um, individualmente, gaste menos água – afinal, o custo é socializado a todos – cria-se um incentivo ao desperdício e uso indiscriminado do recurso. Se você economiza, essa economia é socializada a todos e você, individualmente, tem um benefício pequeno com isso. Se desperdiça, o custo é distribuído aos demais, reduzindo o valor extra que você paga. Resultado: o sistema de distribuição de água do prédio entra em colapso de tempos em tempos pelo excessivo uso de água.
E isso serve para qualquer produto ou serviço que tenha seu custo socializado. Quando se tem “universidade gratuita” (paga, geralmente a um custo maior por aluno do que as privadas, pelo estado com o dinheiro de milhões de pagadores de impostos), há um incentivo para o desperdício de recursos (salários exorbitantes, excesso de funcionários, comida subsidiada em bandejões) pelos poucos que as utilizam, enquanto o custo é socializado para milhões de pagadores de impostos, os quais estão em uma situação ainda pior do que o exemplo do condomínio: pagam por algo que sequer utilizam.
“Passe livre” nos transportes? Pode estar certo que o uso dos transportes será maior, e como as empresas deixarão de ser incentivadas pelo lucro, passando a atuar totalmente por meio de conluio com os políticos e burocratas que formam o estado – que paga o passe “gratuito” com o dinheiro de todos os pagadores de impostos – haverá menos ônibus nas ruas. E ainda cria-se o incentivo para que as pessoas deixem de utilizar outras formas de transporte mais econômicas, como ir a pé ou de bicicleta, para utilizar os ônibus. Afinal, no “passe livre” você paga de qualquer forma, usando ou não, então é melhor usar, não é mesmo? Resultado: colapso inevitável no sistema, seja pelo excesso de uso ou pela falta do dinheiro necessário para financiá-lo, o que vier primeiro.
Qualquer coisa “gratuita” – ou seja, com os custos socializados a todos por meio do estado – obedece à mesma lógica econômica: os poucos que recebem os benefícios têm incentivos para abusar deles porque todos irão pagar os custos depois.
O socialismo não funciona nem em um prédio e ainda há quem defenda que essa lógica continue sendo usada no fornecimento de produtos ou serviços que podem ser perfeitamente fornecidos a todos pela iniciativa privada em livre concorrência. Ou pior: há quem defenda que o modelo socialista seja implantado em todo o país.
O que meu condomínio precisa é que a cobrança seja individualizada por cada morador, a fim de que os custos (pelo desperdício) ou os benefícios (pela economia) sejam arcados individualmente e livremente por cada usuário. E o Brasil, no fundo, precisa da mesma coisa: que cada um arque livremente e de forma privada pelos produtos e serviços que desejar, sem que os custos sejam socializados com milhões de pessoas posteriormente.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s