A nudez e o socialismo

Valdis Grinsteins

“O nudismo é um grande nivelador. Desfazendo-nos da roupa, não temos indicadores do nível da pessoa. Não se pode distinguir entre banqueiros e desempregados, clérigos e leigos, entre a polícia e o cidadão ordinário”.

foto-de-angela-merkel-nua-quando-jovem-em-praia-de-nudismoNa imagem observamos as jovens alemãs orientais em seu período de verão aproveitando o litoral. Destaque para a jovem Angela Merkel que seria uma agente secreta da policia socialista STASI.
A muitas pessoas estranhará saber que essa afirmação se encontra no site de uma organização que promove a tolerância religiosa. Em geral, as pessoas não associam o nudismo ao igualitarismo, mas sim à sexualidade. E imaginam que a religião intervém porque é um problema apenas moral, e não sócio-político.
Mas não é assim como os nudistas se consideram a si mesmos. “O livre pensamento é a base de todo naturista, assim como a liberdade, a igualdade e o direito à busca da felicidade”. A afirmação é do presidente de uma associação naturista espanhola, o qual distingue inclusive entre o nudista — aquele que só quer andar nu, bronzear-se e sentir-se livre — e o naturista, que possui toda uma doutrina para justificar a sua nudez.
“Desfazer-se da roupa é um grande ato nivelador”, afirma igualmente o presidente de uma empresa de turismo para homossexuais, os quais deram um grande impulso ao turismo naturista. O Partido Socialista Francês, por ocasião das eleições legislativas dos anos 80, exibiu uma propaganda na qual apareciam pessoas sem roupa e cobertas pela frase: “Nus, somos todos iguais”.

“Igualitarismo mais radical e completo”
Para complicar ainda mais as coisas, existe uma relação entre o nudismo e o vegetarianismo: “Em 1906 aparece na Alemanha o primeiro campo oficial para a prática nudista, e além de praticar exercícios físicos nus, a alimentação se baseava no vegetarianismo”.4 E no terceiro congresso mundial de naturismo, realizado em 1953, entre suas quatro correntes ideológicas fundadoras encontrava-se o “naturismo nutricional”.
A esta altura mais de um leitor deve estar confuso. Como explicar, do ponto de vista católico, esta mistura ideológica de nudismo, igualitarismo, socialismo, homossexualismo, tolerância religiosa e vegetarianismo? Qual é o elo de ligação de todas essas coisas?
Em 1959, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira publicava seu livro Revolução e Contra-Revolução, no qual descreve a decadência da Cristandade a partir do século XIV até os nossos dias. Esta decadência foi astutamente organizada e dirigida por etapas, sendo dois os “valores metafísicos que exprimem bem a Revolução: igualdade absoluta, liberdade completa. E duas são as paixões [desordenadas] que mais a servem: o orgulho e a sensualidade” .
“A pessoa orgulhosa submetida à autoridade de outra, odeia em primeiro lugar o jugo em concreto que pesa sobre ela. Em segundo lugar, o orgulhoso odeia genericamente todas as autoridades e todos os jugos e, mais ainda, o próprio princípio de autoridade considerado em abstrato. E porque odeia toda autoridade, odeia também toda superioridade, de qualquer ordem que seja. Em tudo isso há um verdadeiro ódio a Deus. […] O orgulho pode assim conduzir ao igualitarismo mais radical e completo”.7
Por sua vez, a sensualidade desordenada não aceita nenhuma barreira, nenhum obstáculo em seu caminho, e seus desejos nunca são saciados, dando origem a novos desejos cada vez mais radicais. Ela “exige” uma liberdade infrene.
Sociedade anárquica igualitária
Assim sendo, facilmente se entende que uma pessoa identificada com as doutrinas revolucionárias propugnadoras de um estado de coisas contrário à ordem estabelecida por Deus — codificada nos Dez Mandamentos — junte o igualitarismo à sensualidade e promova o nudismo não só como meio de favorecer a impureza (é claro que também), mas como ferramenta para construir a sociedade anárquica igualitária.
Di-lo claramente o anarquista Emile Armand em seu ensaio Nudismo revolucionário, publicado em 1934 na Enciclopédia Anarquista: “Para nós, o nudismo é uma demanda revolucionária. Revolução num tríplice sentido: de afirmação, de protesto e de libertação. Afirmação, pois é proclamar a indiferença às convenções morais, aos mandamentos religiosos e às leis sociais […] a demanda nudista é uma das mais profundas e conscientes manifestações da liberdade individual. Protesto, pois exigir e praticar a liberdade de andar nu é de fato contestar todo dogma, lei ou costume que estabelece uma hierarquia entre as partes do corpo. […] Libertação de uma das principais noções nas quais estão baseadas as ideias do que é permitido ou proibido, do bem e do mal. Libertação do exibicionismo, do conformismo a um padrão artificial de aparências que mantém as diferenças de classes. Imaginemos todos nus, o general, o bispo, o embaixador, o acadêmico, o guarda de prisão, o vigia. O que restaria de seu prestígio, da autoridade que lhes foi delegada? Eles sabem bem disto, e não é um dos últimos motivos de sua hostilidade ao nudismo”.

Tendências desordenadas em matéria de sensualidade
Não caberia nos limites de um artigo descrever o longo caminho percorrido pela tendência desordenada da sensualidade a partir do fim da Idade Média, a qual foi dando origem a doutrinas que por sua vez geraram revoluções. Desde a escultura David de Donatello (1430) — primeira estátua totalmente nua produzida desde a Antiguidade pagã — até as praias nudistas de nossos dias há um longuíssimo percurso.
Apenas para dar uma ideia dessa profunda revolução, recordemos, em rápidas pinceladas, que ao iniciar-se o século XX as tendências desordenadas em matéria de sensualidade já eram dominantes, a ponto de a Beata Jacinta, vidente de Fátima, afirmar que “os pecados que conduzem mais almas ao inferno são os pecados da carne”.9 Apesar de as pessoas se vestirem ainda com recato, contrariamente às modas que viriam mais tarde, era fácil encontrar a nudez nas pinturas, esculturas, e até em obras funerárias dos cemitérios. A arte havia se libertado da moral, não mais representando aquilo que fosse belo, bom e verdadeiro, mas exprimindo a interpretação livre do autor. O fato de um anjo não andar desnudo não impedia de apresentá-lo dessa maneira; o mesmo em relação a uma criança, um jovem ou uma jovem, muitas vezes pouco cobertos.
Pessoas em geral bem vestidas viviam observando aqui e ali representações de nudez. Como isso poderia não influenciar o seu pensamento? É por isso que em matéria de revolução nas ideias, já em 1905 Freud publicava a obra Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, na qual apresenta suas doutrinas sobre o tema, relacionando-as especialmente com a infância. Em 1913 era a vez de Totem e tabu, nas quais ele trata do incesto.
Por sua vez, em 1908, Anatole France, laureado com o Prêmio Nobel, publicava sua obra satírica A ilha dos pinguins, na qual diversos pinguins são batizados. Mas para isso eles têm que se vestir, a fim de respeitar os preceitos divinos. A partir desse fato começa entre eles a hipocrisia, cujas consequências serão a propriedade, as riquezas, as classes sociais e a guerra. Portanto, já antes da I Guerra Mundial difundiam-se livremente doutrinas destinadas a demonizar o uso de roupas. E em matéria de revolução nos fatos, em 1903 foi criado em Freilichpark, próximo de Hamburgo, na Alemanha, o primeiro campo nudista.

Etapas rumo à aceitação do nudismo
A I Guerra Mundial trouxe enormes modificações no panorama mundial. Com a escusa de economizar material, a moda, por assim dizer, “encolheu” as roupas: as saias subiram do tornozelo para até um pouco abaixo do joelho, os xales caíram pouco a pouco em desuso e muitos vestidos suprimiram as mangas. Aparecia também o primeiro país a promover oficialmente o amor livre, o aborto e até a tolerar a homossexualidade: a Rússia soviética. País que também desejava acabar com a concepção burguesa de família e com o pátrio-poder.
O cinema alcançaria pouco depois impressionante popularidade. Em 1929 surge o primeiro filme — Glorifying the American Girl (glorificando a garota americana) —, no qual aparecem pessoas parcialmente desnudas e que dizem grosserias; vulgaridade e sensualidade frequentemente andam juntas. Em 1933 é a vez da primeira apresentação cinematográfica com uma pessoa totalmente desnuda. Trata-se do filme checo Ecstasy (êxtase), tão chocante que o próprio Papa Pio XI emitiu um documento condenando a degradação promovida por essa película.
Avançando no tempo, os nazistas promoviam em estádios desfiles “históricos”, nos quais as mulheres apareciam comumente com a parte superior do corpo descoberta. Eles também difundiam largamente publicações imorais, como a revista “Der Sturmer”, que editava com regularidade fotos de mulheres nuas a pretexto de ilustrar o ideal de mulher ariana. Davam ainda livre curso aos campos nudistas.
Terminada a guerra, a imoralidade prossegue seu caminho, tanto nas ideias quanto na prática. Discípulo de Freud, Herbert Marcuse publica em 1955 o livro Eros e Civilização, no qual defende o princípio do prazer, e põe em circulação uma interpretação de Freud segundo a qual uma civilização à altura do homem deveria suprimir toda espécie de repressão, incluída a que se exerce sobre a sexualidade.
Os anos 60 viram uma impressionante aceleração da sensualidade em todas as esferas da vida moderna. Foram publicados em poucos anos best-sellers antes impensáveis como, por exemplo, Sex and the single girl (o sexo e a garota solteira), destinado às jovens, a quem prometia carreira, independência financeira, dando todo tipo de conselhos para viverem sem regras morais.
A televisão foi igualmente um veículo de promoção da imoralidade. Nos EUA, temas antes considerados tabus começaram a ser apresentados na TV. Por exemplo, durante toda aquela década, a mais popular série americana chamava-se All in the family (tudo em família), na qual se representavam temas como homossexualismo, libertação feminina, violação, contracepção, doenças sexuais, etc.
E, durante a Revolução de Maio de 68, em Paris, certos movimentos de protesto terrivelmente ousados — hoje considerados “normais” — foram lançados publicamente. Por exemplo, o Movimento de Libertação Feminina, cujas iniciadoras pertenciam a um minúsculo grupo maoísta; assim como os vários movimentos de reivindicação dos direitos dos homossexuais, o primeiro dos quais denominava-se Frente Homossexual de Ação Revolucionária.
Mas foi nos anos 70 – enquanto, devido às convulsões internas na Igreja pós-conciliar, silenciava-se a doutrina católica sobre a moralidade – que se sentiram de cheio os efeitos das doutrinas libertárias difundidas na década anterior. Generalizou-se na sociedade ocidental um amor livre não inteiramente confessado. Desapareceram as leis contrárias ao adultério e numerosos países legalizaram o divórcio. Para dar alguns exemplos, na Itália houve um referendo em maio de 1974 para abolir uma lei de divórcio implantada em 1971. Os divorcistas venceram com 60% dos votos. Na Austrália, em 1940 só 14% da população havia adotado o divórcio; em fins dos anos 70 essa porcentagem elevou-se a 50%. O número de filhos ilegítimos aumentou em todos os países. E o estigma que isso acarretava desapareceu quase por completo. Ademais, foram sendo abolidas as leis que distinguiam os filhos legítimos dos ilegítimos.
* * *
No século XXI, só não se dá conta da revolução nudista e de suas nefastas consequências quem não quiser. Não é apenas a impressionante quantidade de clubes, praias e outros locais destinados ao nudismo; organizam-se eventos nos quais pessoas totalmente despidas transitam de bicicleta em lugares centrais das maiores cidades do mundo, como no Zócalo ou Praça Maior da Cidade do México. Ou as fotografias tiradas por Spencer Tunick, que exibem milhares de participantes despidos em diversos lugares do mundo.
Não é preciso ser muito sagaz para perceber que futuro nos aguarda: a exacerbação de todas essas más tendências é de molde a levar até ao extremo de uma situação anticristã em que os contestadores das leis divina e natural se indignarão se alguém andar vestido ou quiser impedir o nudismo em sua família…
Os nudistas, que dizem defender a liberdade, transformar-se-ão, tudo indica, nos mais descarados ditadores, implacáveis antidemocratas que negarão o direito de as pessoas se cobrirem e considerarão crime alegar a existência de regras morais ou do pecado original para justificar o uso de qualquer vestimenta. Eles mostrarão então a sua verdadeira face: revolucionários extremados, fanáticos defensores de um estado de coisas diametralmente oposto às leis estabelecidas pelo Criador.

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