Autor: bunkermarlonadami

BELEZAFOBIA?! Pode isso?

Não é de hoje que se tenta estabelecer como natural uma agenda que só atende a propósitos de nichos muito particulares da sociedade. É claro que ninguém é obrigado a aceitar ou se submeter a qualquer padrão de beleza, seja ele qual for. Mas daí a proibir e censurar imagens belas há um longo e perigoso caminho.

Descartada a justificativa oficial, o que explica esse surto explícito de belezafobia? Hoje se dissemina de forma assustadora uma sanha censora e rancorosa típica de uma mentalidade autoritária, que replica as atitudes repressivas que afirma combater. Curiosamente, as mesmas pessoas que defendem a FIFA são aquelas que adotam o discurso da tolerância, afirmando que cada um pode ser o que desejar – exceto, é claro, se não servir aos seus propósitos e à sua narrativa. No caso: você, mulher, pode ser o que quiser; mas não pode ser bonita, porque sua beleza me oprime e desagrada.
Em qualquer lugar e em qualquer época a beleza sempre foi um fato da vida. Um passeio pela História da Arte mostra que os padrões variam, mas sempre haverá pessoas que se destacam – e despertam inveja – por serem bonitas. Mas, se o belo sempre incomodou e até ofendeu, pela primeira vez na História o ressentimento de quem não suporta a beleza alheia ousou sair do armário.
Vocalizados e amplificados pelas redes sociais, o ressentimento ganha ares de virtude, e o “ódio do bem” prospera em um ambiente onde todos sentem prazer em apontar o dedo para o outro. Vinicius de Moraes seria hoje linchado em praça pública se pedisse desculpa às feias e afirmasse que a beleza é fundamental. Porque, na nossa sociedade, são as bonitas que devem se desculpar. Morte ao belo, morte a tudo que agrada aos sentidos: serão estes os lemas da nossa época?
Perguntas que não querem calar: qual será o tribunal que definirá o limite além do qual a beleza é inaceitável? Adotada essa norma, as mulheres que forem filmadas nos estádios devem entender que são consideradas feias? Isso não será uma forma de bullying? As jornalistas e apresentadoras atraentes estarão ameaçadas de perder seus empregos?
Em uma sociedade onde tudo ofende e todos se fazem de vítima, o alvo, desta vez, são as mulheres bonitas. Qual será o próximo passo? Proibir imagens de jovens, para não ofender os idosos? Proibir imagens de pessoas magras, para não ofender às gordas? Proibir imagens de pessoas altas, para não ofender as baixas? Proibir imagens de pessoas saudáveis, para não ofender às doentes? Proibir imagens de pessoas bem-sucedidas, para não ofender as fracassadas?

O mundo está doente, em vários aspectos. Mas, neste caso, a doença não está na beleza: está em quem se incomoda e se ofende com ela.

Luciano Trigo

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Progressistas, reacionários, histeria e a longa marcha gramscista

Por que a esquerda sempre faz uma oposição histérica a toda e qualquer ínfima medida ou iniciativa que seja por ela tida como “antiprogressista” ou, pior ainda, “reacionária” e contrária ao seu “projeto de poder”?
Seja no quesito dos “direitos” dos homossexuais (“direitos”, no linguajar esquerdista, nada mais são do que deveres impingidos aos pagadores de impostos), nos privilégios raciais e sindicais, no feminismo, no desarmamento, no aborto financiado pelo estado, e até mesmo em tímidas propostas de reformas assistencialistas, a esquerda progressista sempre reage com um furor frenético contra qualquer pessoa — seja político, comentarista político ou apenas alguém da mídia alternativa — que se atreva a fazer algo que leve a um pequeno recuo destes sagrados esquemas socialistas.

O frenesi progressista que vem varrendo o mundo começou realmente no final dos anos 1930. Naquela época, vivendo em Nova York, minha família, meus amigos e meus vizinhos, todos esquerdistas, haviam chegado ao paroxismo do medo e da raiva por causa da contra-revolução de Franco e da iminente derrocada do governo espanhol esquerdista durante a Guerra Civil Espanhola. Superabundavam denúncias e vituperações lacrimosas contra Franco, além de contínuas exortações para que “alguma coisa fosse feita”. Houve a criação de organizações especializadas em enviar de tudo para a Espanha, desde leite até armas e soldados. Era a “Brigada Internacional”, criada para defender a esquerda espanhola (alcunhada de “Legalistas” pelo sempre simpatizante The New York Times e por outros veículos da mídia “respeitável”).
Vale enfatizar que estas pessoas jamais — nem antes e nem durante — haviam demonstrado qualquer tipo de interesse pela história, cultura ou política espanhola. Logo, por que repentinamente passaram a se preocupar com o país?
O historiador esquerdista Allen Guttman chegou até a documentar e celebrar esta histeria em relação à Espanha em seu livro A Ferida no Coração (o título já diz tudo). Certa vez perguntei ao meu amigo Frank S. Meyer, que havia sido um proeminente comunista americano, a respeito deste enigma. Ele deu de ombros: “Nós [os comunistas] nunca conseguimos entender o porquê. Mas tiramos proveito do sentimentalismo progressista da questão”.
A explicação ortodoxa dos historiadores é que os esquerdistas da época — cujo quartel-general, a fonte de financiamento, estava nos EUA — estavam especialmente temerosos quanto à “ameaça do fascismo”, e defendiam freneticamente a esquerda espanhola porque viam a Guerra Civil daquele país como um prenúncio de uma inevitável Segunda Guerra Mundial.
Mas o problema com esta explicação é que, embora a esquerda progressista houvesse defendido entusiasmadamente a “boa” Guerra contra o Eixo, ela nunca realmente arregimentou a mesma emotividade, a mesma exaltação, o mesmo furor que demonstrava em relação a Franco contra Hitler, por exemplo.
Então, qual a verdadeira explicação para a atual postura da esquerda em relação a temas cultural e economicamente progressistas?
Creio que uma pista pode ser encontrada na mini-histeria que a esquerda demonstrou a respeito da contra-revolução ocorrida contra o regime esquerdista da Salvador Allende no Chile, uma contra-revolução que colocou o General Augusto Pinochet no poder. A esquerda, até hoje, ainda não perdoou a direita chilena e a CIA por este golpe. Allende ainda é considerado um mártir querido pela esquerda, e sua filha Isabel, um ícone (embora ainda percam para Che Guevara).
Seria esta raiva tão duradoura só porque um regime comunista foi derrubado? Quase, mas ainda longe. Afinal, a esquerda não demonstrou grandes emoções, não demonstrou nenhum desespero, quando os regimes comunistas entraram em colapso na União Soviética e no Leste Europeu.
Logo, sugiro que ‘A Resposta’ para este mistério é a seguinte: a esquerda é, em sua essência, “progressista”, o que significa que ela acredita, à moda marxista, que a história consiste em uma ‘inevitável marcha ascendente’ rumo à luz, rumo à utopia socialista.
A esquerda progressista acredita no mito do progresso inevitável; ela acredita que a história está ao seu lado, sempre conspirando a seu favor. Sendo ela formada por social-democratas (mencheviques), primos dos comunistas (bolcheviques) — com quem vivem entre tapas e beijos —, a esquerda progressista possui um objetivo similar ao dos comunistas, mas não idêntico: um estado socialista igualitário, gerido totalmente por burocratas, intelectuais, tecnocratas, “terapeutas” e pela Nova Classe iluminada, geralmente em colaboração com — e sempre sendo apoiada por — credenciados membros de todos os tipos de grupos vitimológicos, aquela gente que se diz perseguida e que vive lutando por “direitos iguais” — sendo que o ‘iguais’ significa na verdade ‘superiores’. Estes grupos são formados por negros, mulheres, gays, lésbicas, trans, índios etc.
A esquerda progressista acredita que a história está marchando inexoravelmente rumo a este objetivo. Uma parte vital deste objetivo é a destruição da família tradicional, “burguesa” e composta de pai e mãe, que deve ser substituída por um sistema em que as crianças são criadas e educadas pelo estado e por sua Nova Classe de orientadores, tutores, terapeutas e demais “cuidadores” infantis.
A utópica marcha da história, objetivo dos social-democratas, também é similar à dos comunistas, mas não exatamente a mesma. Para os comunistas, o objetivo era a estatização dos meios de produção, a erradicação da classe capitalista, e a tomada de poder pelo proletariado. Já os social-democratas entenderam ser muito melhor um arranjo em que o estado socialista mantém os capitalistas e uma truncada economia de mercado sob total controle, regulando, restringindo, controlando e submetendo todos os empreendedores às ordens do estado. O objetivo social-democrata não é necessariamente a “guerra de classes”, mas sim um tipo de “harmonia de classes”, na qual os capitalistas e o mercado são forçados a trabalhar arduamente para o bem da “sociedade” e do parasítico aparato estatal. Os comunistas queriam uma ditadura do partido único, com todos os dissidentes sendo enviados para os gulags. Já os social-democratas preferem uma ditadura “branda” — aquilo que Herbert Marcuse e a Escola de Frankfurt, em outro contexto, rotularam de “tolerância repressiva” —, com um sistema bipartidário em que ambos os partidos concordam em relação a todas as questões fundamentais, discordando apenas polidamente acerca de detalhes triviais — “a carga tributária deve ser de 37% ou de 36,2%?”.
Liberdade de expressão, de imprensa e de ideias é tolerada pelos social-democratas, mas desde que ela se mantenha dentro de um espectro de opiniões pré-aprovadas. Os social-democratas repelem a brutalidade dos gulags; eles preferem fazer com que os dissidentes padeçam da “suave” e “terapêutica” ditadura do politicamente correto, na qual eles forçosamente têm de aprender as maravilhosas virtudes de ser educado na “dignidade de estilos de vida alternativos”, sempre submetidos a um intenso “treinamento de sensibilidade”. Em outras palavras, Admirável Mundo Novo em vez de 1984. A “marcha ascendente da democracia” em vez da “ditadura do proletariado”.
Também típica é a distinção, nas duas utopias, acerca de como lidar com a religião. Os comunistas, como fanáticos ateístas, tinham o objetivo de abolir por completo a religião. Já os social-democratas preferem uma abordagem mais suave: subverter o cristianismo de modo a fazer com que a religião se torne aliada da social-democracia. Daí a sagaz cooptação da esquerda cristã pelos social-democratas: enfatizando o modernismo entre os católicos e o evangelicalismo esquerdo-pietista entre os protestantes — este último objetivando criar um Reino de Deus na Terra na forma de uma coerciva e igualitária “comunidade de amor”.
Trata-se de uma estratégia muito mais astuta: cooptar religiosos em vez de assassinar padres e freiras e confiscar igrejas — esta última feita pelo regime republicano espanhol e por seus partidários trotskistas e anarquistas de esquerda, algo que não gerou absolutamente nenhum grito de protesto por parte de seus devotos defensores progressistas e social-democratas ao redor do mundo.
Esta distinção nos objetivos — totalitarismo brando vs. radical — também é refletida na acentuada diferença entre as estratégias e os meios utilizados. Os comunistas, ao menos em sua clássica fase leninista, ansiavam por uma revolução violenta e apocalíptica que destruiria o estado capitalista e levaria à ditadura do proletariado. Já os mencheviques — social-democratas ou neoconservadores —, fieis ao seu ideal “democrático”, sempre se sentiram um tanto desconfortáveis com a ideia de revolução, preferindo muito mais a “evolução” gradual produzida pelas eleições democráticas.
Para os mencheviques, o estado deve ser totalmente aparelhado por intelectuais partidários e simpatizantes, de modo a garantir a continuidade da longa marcha gramsciana da conquista das instituições culturais e sociais do país. Daí a desconsideração pelos gulags e pela revolução armada. Por isso o desaparecimento de seus primos (e concorrentes) bolcheviques não ter sido lamentado pelos social-democratas. Muito pelo contrário: os social-democratas agora detêm o monopólio da marcha “progressista” da história rumo à Utopia.
O que me traz de volta à minha ‘Resposta’ sobre o porquê da histeria da esquerda progressista: ela se torna histérica sempre que percebe a ameaça de uma pequena reversão na Inevitável Marcha da História. Ela se torna histérica quando visualiza alguns empecilhos e, principalmente, retrocessos nesta sua inexorável marcha ao poder total, retrocessos estes que sempre são rotulados, obviamente, de “reações”. Na visão de mundo tanto de comunistas quanto de social-democratas, a mais alta — desde que “progressista” — moralidade é se mostrar não apenas um defensor, mas também, e principalmente, um entusiasmado fomentador da ‘inevitável próxima fase da história’. É ser a “parteira” (na famosa expressão de Marx) desta fase.
Da mesma forma, a mais profunda, se não a única, imoralidade é ser “reacionário”, ser alguém dedicado a se opor a este inevitável progresso — ou, pior ainda, alguém dedicado a fazer retroceder a maré, a restaurar costumes enraizados, a “atrasar o relógio”.
Este é o pior pecado de todos, e ele gera todo este frenesi justamente porque qualquer retrocesso bem-sucedido colocaria em dúvida aquele que é o mais profundo e o mais inquestionavelmente aceito mito “religioso” da esquerda progressista: a ideia de que o progresso histórico rumo à sua Utopia é inevitável.
Trata-se, no mais profundo sentido, de uma guerra não apenas cultural e econômica, mas religiosa. “Religiosa” porque social-democracia/progressismo de esquerda é uma visão de mundo passional, uma “religião” no mais profundo sentido, pois guiada unicamente pela fé: trata-se da ideia de que o inevitável objetivo da história é um mundo perfeito, um mundo socialista igualitário, um Reino de Deus na Terra, seja este deus “panteizado” (sob Hegel e os adeptos do Romantismo) ou ateizado (sob Marx).
Esta é uma visão de mundo em relação à qual não deve haver concessões ou clemência. Ela deve ser contrariada e combatida veementemente, com cada fibra de nosso ser.
Quem vai vencer essa guerra? Não se sabe. De que lado está a maioria da população? Certamente perdida, disponível para quem chegar primeiro. A maioria está confusa, vagando de um lado para o outro, dividida entre visões de mundo conflitantes. Ela pode pender para qualquer lado.
Durante suas inúmeras batalhas faccionárias dentro do movimento marxista, Lênin certa vez escreveu que há dois grupos batalhando, cada um formado pela minoria da população, sendo que a maioria está no centro, e é formada justamente pelas pessoas confusas, às quais ele se referiu como O Brejo. A maioria da população hoje está confusa e constitui O Brejo; estas pessoas estão no terreno no qual a maioria das batalhas será disputada. E a metáfora é corretamente militar. A batalha iminente é muito mais ampla e profunda do que apenas discutir alíquotas de impostos. Trata-se de uma batalha de vida e morte pelo formato do nosso futuro. Daí se compreende o frenesi que acomete a esquerda sempre que uma medida “reacionária” parece ser favorecida pela sociedade.
A esquerda progressista não se importa muito com — na verdade, ela até gosta de — pequenos revezamentos de poder: uma década de governos abertamente progressistas, nos quais a agenda esquerdista é avançada, seguida de alguns anos de governo “oposicionista” ou “conservador”, no qual há apenas uma consolidação ou simplesmente uma redução na velocidade do avanço. O que ela realmente teme é a perspectiva do conservadorismo se tornar reacionário, no sentido de realmente fazer retroceder alguns ganhos “progressistas”. É isso que a apavora.
Daí a histeria em relação a Franco e a Pinochet; daí o linchamento de Joe McCarthy, que realmente ameaçou ser bem-sucedido em fazer recuar não apenas os comunistas, mas até mesmo os progressistas e social-democratas. Ameace retroceder “direitos” obtidos por grupos de feministas, de gays, de negros, de desarmamentistas, de funcionários públicos, de sindicalistas ou de qualquer outro do ramo vitimológico, e você verá o que é uma fúria progressista.
Portanto, o combate requer, principalmente, coragem e nervos para não ceder e não se dobrar perante as totalmente previsíveis reações caluniosas e difamantes dos oponentes. Acima de tudo, o objetivo não deve ser o de se tornar querido e bem aceito por progressistas ou pela Mídia Respeitável. Tal postura irá gerar apenas mais rendição, mais derrotas. Igualmente, o objetivo não é apenas o de fazer retroceder o estado leviatã, sua cultura niilista(doutrina filosófica que indica um pessimismo e ceticismo extremos perante qualquer situação ou realidade possível. Consiste na negação de todos os princípios religiosos, políticos e sociais) e estas pessoas que querem se apossar do estado e impor sua agenda sobre nós. O objetivo tem de ser a eliminação completa e irreversível deste monstruoso sonho de um Perfeito Mundo Socializado gerido por “pessoas de bem”.
Que a reação ocorra, que os “direitos” sejam retrocedidos, que esta gente recue, entre em órbita e finalmente perceba que, na realidade, sua religião é maléfica.

Murray N. Rothbard
(1926-1995)

URSS: feminismo, aborto, divórcio, amor livre

Em 1920, a União Soviética tornou-se o primeiro país do mundo a garantir às mulheres o direito ao aborto legal. Dois anos antes, em 1918, o Código da Família, promulgado pelos bolcheviques, havia instituído o casamento civil em substituição do casamento religioso e estabelecido o divórcio a pedido de qualquer um dos cônjuges. O governo que emergiu da Revolução Comunista de 1917 também incentivou a educação feminina e encorajou as mulheres a assumirem os mesmos postos de trabalho que os homens pelos mesmos salários.

A ambição dos bolcheviques ia além de garantir às mulheres os mesmos direitos dos homens. Os revolucionários acreditavam que, na sociedade socialista, seria possível libertar a mulher das tarefas domésticas que, segundo Lenine, embruteciam a mulher e a impediam de participar da vida social e política.

Segundo a historiadora americana e professora da Carnegie Mellon University, Wendy Goldman, os ideais de emancipação da mulher e o amor livre que inspiraram o movimento feminista ocidental nos anos 60 e 70 já eram debatidos nos primeiros anos da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), na década de 1920. Em «Mulher, Estado e Revolução: política familiar e vida social soviética entre 1917 e 1936», escrito em 1993, mas publicado agora no Brasil, Goldman reconta a história do “verão do amor” soviético.

As leis que garantiam os direitos das mulheres soviéticas eram tão avançadas que, segundo Goldman, até hoje algumas delas ainda não foram adoptadas por países ocidentais. A legislação soviética previa a igualdade entre homens e mulheres. «As legislações de muitos países não dizem que homens e mulheres serão tratados igualmente. Nos Estados Unidos, nos anos 70, nós tentamos aprovar uma emenda constitucional que afirmasse que a igualdade entre homens e mulheres, mas ela não foi aprovada», diz.

Para libertar as mulheres, foi proposta a socialização do trabalho doméstico. As tarefas realizadas em casa – e de graça – pelas mulheres passariam a ser feitas por profissionais assalariadas em creches, restaurantes comunitários e lavandarias públicas. O fim do trabalho doméstico era apenas um passo, o objectivo dos bolcheviques era o fim da família, pelo menos como figura jurídica. «Os revolucionários marxistas viam a família como uma organização que mudava com o passar do tempo. As famílias dos tempos das cavernas eram diferentes das famílias que viviam sob o feudalismo, que eram diferentes das famílias do capitalismo», afirma. Os bolcheviques acreditam que as condições do socialismo possibilitariam o desaparecimento da família como ela existe no capitalismo. «O que não significa que as pessoas deixariam de se amar, de se relacionar umas com as outras e de se relacionar com seus filhos. Mas a família baseada na dependência financeira e na coacção desapareceria.»

Na década de 1920, as mulheres soviéticas começaram a ocupar mais e mais postos de trabalho nas indústrias e creches e os restaurantes estatais se encarregavam das tarefas antes consideradas domésticas. As novas condições materiais somadas à facilidade para se casar e se divorciar e o acesso ao aborto permitiram o surgimento de novos arranjos familiares, baseados no amor livre, e não na dependência económica.

No entanto, «a experiência de liberdade foi muito dolorosa para as mulheres», afirma Goldman. A facilidade para divorciar levou muitos homens soviéticos a terem relacionamentos breves com mulheres, engravidá-las e abandoná-las. A irresponsabilidade masculina tornou as mulheres mais conservadoras. Elas passaram a exigir o fortalecimento da família e que os homens fossem obrigados a pagar pensão alimentícia, já que o Estado soviético não tinha recursos para cuidar de todos os filhos do amor livre.

Em 1936, o governo de Josef Estaline decretou um conjunto de leis cujo objectivo era valorizar a família, dificultar o divórcio e proibir o aborto. A proibição, que só vigorou até 1955, não resultou na diminuição do número de abortos. «Em 1938, o número de abortos era tão alto quanto em 1935, quando ainda era legal», afirma Goldman.

EVOLUÇÃO(?)!

PROF. MARLON ADAMI

É sabido que nos últimos 513 anos, muito acontenceu e se transfor-mou no que tange a evolução da humanidade e por que não dizer no cenário social. A transição e a formação do que se conhece como -sociedade feudal na Europa medieval foi forjada pelas armas e -batalhas de campo tendo a nobreza como protagonista da formatação e do que se pode chamar de construção das nações e do sentimen-to de nacionalidade. Ao mesmo tempo a igreja cristã se colocava -neste cenário como cartorários, ouvidores e alcaides dessa socieda-de.
O poder não foi fruto da propriedade privada, da terra, mas sim, da espada e das glórias em campo de batalha. O poder da casta nobre militar não se misturou as demais e não criou o poder pela inteligência deixando o cultivo da mesma para religiosos e mulheres.
O cenário medieval foi formatado tendo o poder maior e absoluto- naqueles que lutavam e protegiam com armas suas terras, religiosos e servos; religiosos e mulheres formavam uma casta preocupada em desenvolver o conhecimento e intelectualidade balisada pelo poder teocrático da igreja e garantir a perpetuação das familias e dinastias que foram instituídas. O arado e a terra foram incumbência dos servos e arrendatários e a burguesia e judeus alavancaram os negócios.
Esse modelo perdurou por mais de mil anos, alicerçado pelo tripé -formado pela força das armas, legitimação eclesiástica e cultural,- obediência popular traduzida pelo trabalho e impostos, do suporte -financeiro obtido ou extorquido dos banqueiros e comerciantes nos momentos de guerras e crises.
Assim como esse modelo feudal ascendeu, ele próprio criou a sua -decadência quando o absolutismo se colocou acima de tudo e todos dando ao monarca o poder temporal(terreno) e espiritual(de Deus), deixando os demais escalões da sociedade subordinados ao rei. Porém, o monarca advindo da nobreza, dela se destaca e contra ela e -contra a própria igreja, buscar apoio do terceiro estado(o povo) que juntos são capazes de intimidar o rei, a igreja e a nobreza, tornando assim uma força política independente.
O absolutismo assim como o reinado da burguesia liberal não tiveram longa duração, pois o excesso de riqueza acaba por gerar um sen-timento de insubordinação a realidade politica, social e do próprio mercado que os fez enriquecer. Essa insubordinação cria varias ten-tativas de controle da realidade que se resumiam em controlar o Es-tado, para implantação de políticas estatistícas necessárias ao forta-lecimento do oligopólio; estímulo aos movimentos socialistas e comunistas que favorecem o crescimento do poder estatal; formação de um exército de intelectuais para preparar a opinião pública para -abdicar das liberdades individuais e aceitar passivamente um mun-do de repressão onipresente, apresentado como um paraíso, ao -mesmo tempo com a fartura capitalista e a justiça social socialista/-comunista.
Nesse novo mundo a liberdade econômica é indispensavel para o -funcionamento do sistema que é preservada na estrita medida para que possa subsidiar a extinção da liberdade nos domínios políticos, sociais, culturais, morais, educacionais e religiosos.
Os megacapitalistas, metacapitalistas agora se reinventam e contro-lam através de uma engenharia social os seus destinos e de toda a- sociedade baseados numa idéia falaciosa.
O Iluminismo, movimento este que resgatou e aprimorou a cultura- greco romana cerceada pela igreja por séculos, na verdade foi um -movimento revolucionário para escancarar o conhecimento à todos, algo que a igreja detendo o poder espiritual e o aval do poder tem-poral dos reis administrou a seu favor.
Neste movimento temos uma gama de pensadores e intelectuais que tiveram acesso ao conhecimento tutelado pela igreja para assim formular, desenvolver as mais diversas teorias e projetos visando a transformação da sociedade.
A partir desse movimento filosófico podemos afirmar que as revoluções e transformações da sociedade saem do campo de batalha e do poder das armas para o campo da intelectualidade, uma revolução promovida pelas letras e pelo pensamento. Podemos destacar- alguns dos autores iluministas que até a atualidade influenciam o-pensamento da sociedade, dita pós moderna, como Maquiavel,-Locke, Hobbes, Rousseau, Montesquieu.
Mas o que pensar de autores como Rousseau, um mentiroso nato, egocêntrico e que se escondia atrás da sua pseudo loucura declarada para justificar os males que provocava na sua familia e para a -sociedade.
Maquiavel através de suas cartas ao principe acabou por deixar um manual do que não se praticar na política.
Hobbes deixou o seu legado através do Leviatã, uma obra que justi-fica todo e qualquer absolutismo e por que não dizer, o autoritaris-mo contemporaneo.

Os séculos XVI ao XIX foi o período que podemos denominar de -transição do sistema feudal da Idade Média para o capitalismo con-temporaneo dividido em duas partes. A primeira teórica e a segunda com ações praticas e teorizações advindas da realidade do momen-to.
A Revolução Francesa, o marco divisor de águas entre o iluminismo transitório do feudalismo para o sistema capitalista é um fato ainda repleto de mitos e dados obscuros para compreender sua magnitude histórica, mesmo se passando séculos da sua realização.
Esse período transitório do terreno das armar e batalhas culminou em um cenário onde as armas são as ideologias e a intelectualidade e o poder de mobilização substituíram os exércitos, ou seja, uma guerra sem sangue, mas que poderia gerar outras consequencias maléfi-cas para a sociedade.
Temos em Maquiavel e Hobbes a visão da monarquia absolutista,- posteriormente John Locke já expõe em seus tratados uma socieda-de com direitos e protagonista; Montesquieu explana sobre a divi-são de poder o que seria o regramento juridico da sociedade, culmi-nando com Rousseau e seu contrato social que formatava a sociedade em novos moldes muito distantes do absolutismo monarquico e- hierarquizado em três estágios: Nobreza, Clero e Servos.
Os tratados de Montesquieu e Rousseau deixaram claro a possibili-dade de divisão do poder e a possibilidade de uma neo democracia -para a época, já que a Inglaterra neste período de teorização, sofreu com a sua Revolução, onde a monarquia cedeu espaço político aos súditos inaugurando o modelo de monarquia parlamentarista e servindo de exemplo para outras nações européias.
Duas fontes importantes da antiguidade foram revistas e receberam um novo formato para se incorporar a realidade transitória do feudalismo para o capitalismo, são eles a democracia e o direito.
A Democracia Clássica, governo em que o poder não está nas mãos de um só ou de
poucos, mas está nas mãos de todos ou de uma maioria, acrescida -do formato de divisão de poder de Montesquieu e o Contrato Social de Rousseau deu origem a neo democracia contemporânea onde a democracia é execida através de direitos e deveres e pelo voto de representação popular.
Montesquieu revisita o direito romano adaptando a estrutura do Corpus Juris Civilis Romanorum ao momento de transformação que a -sociedade transitória européia estava vivendo, ou seja, o rompimento do paradigma feudal para um novo paradigma que exigia inova-ções não apenas tecnologicas, mas sociais, politicas e juridicas.
Uma ordem social está fadada a desaparecer se as ações necessárias ao seu bom funcionamento são rejeitadas pelos padrões morais, são consideradas ilegais pelas leis do país e são punidas pelos juízes e -pela polícia. O Império Romano se esfacelou por ter ignorado o liberalismo e o sistema de livre iniciativa. O intervencionismo e o seu -corolário político, o governo autoritário, destruíram o poderoso im-pério, da mesma forma que necessariamente desintegrarão e destruirão, sempre, qualquer entidade social. Era exatamente nesse problema que os pensadores da transição não queriam incorrer novamente. O autoritarismo romano e o absolutismo medieval deixaram claro que a governança autoritaria é um formato inviavel e auto destrutivo que os modernistas e contemporaneos do seculo XIX tiveram como exemplo para não incorrer no mesmo erro.

Os preceitos filosóficos de transformação da sociedade do século XVI ao XVIII recebem
no seculo XIX uma nova dose teórica e de cunho revolucionário para tentar corrigir os erros da Revolução Francesa e combater a chamada exploração do capital sobre a mão de obra trabalhadora.
Para entender os motivos que levaram os teoricos do seculo XIX a -teorizar e pregar suas ideologias temos que levar em consideração a realidade européia da revolução industrial, do exodo rural, da super população, da carestia da produção agricola e da novidade que se instalava como novo modelo economico, o capitalismo.
Assim como toda novidade que se insere na sociedade a revolução -industrial, os meios de produção e o formato republicano ou monarquico parlamentarista estava em fase de experimentação, sujeito a -adaptações e reformas.
A Revolução Francesa arquitetada e influenciada pela revolução britanica que culminou na monarquia parlamentarista, tomou outro rumo com a violencia aprrendida pelos revolucionarios, a formação da Comuna de Paris
Mas o que vemos no século XIX é o surgimento de ideologias radicais que criam um emaranhado de justificativas e culpados para a realidade social, colocando a disposição de todos os insatisfeitos um projeto de mundo ideal e perfeito baseado na luta continua pela igualdade social através da demonização do cristianismo praticado da igreja católica, dos detentores dos meios de produção e principalmente da propriedade privada, ultimo resquício do modelo feudal que se manteve secularmente e que deveria ser socializado, o que -na verdade era e continua sendo a expropriação dos que detêm -entregando para os que não tem, sem praticar a maxima do sistema capitalista, trabalhar, acumular e adquirir.
Observamos nas ultimas décadas após a queda da cortina de ferro e o pseudo funeral do socialismo soviético, tal regime não faliu, mas bateu em retirada estratégica para se reciclar e se adaptar as novas tendências com a globalização.
Nossa atualidade está disposta de três projetos distintos: CFR/Bilderberg(Europa, Canadá e EUA), Islamico(Oriente Médio, Norte da Africa e parte da Asia), Eurasiano(Russia/China), ficando a mercê desses projetos a américa latina que tem o projeto do Foro de SP -que a qualquer momento poderá se alinhar e compor qualquer um -desses projetos acima colocados.
No momento com a visão socialista leninista/stalinista do Foro de -SP o alinhamento se encaminha para o projeto eurasiano, mas con-forme os rumos e diretrizes dos presidentes dos países que compõe o FSP, algum país chave pode encaminhar os rumos do continente -para o projeto do CFR/Bilderberg e quem sabe até o Islamico que é mais dificil devido a forte cultura cristã do continente.
As fichas e as cartas foram dadas, agora é aguardar para ver quais os caminhos que a america latina escolherá para seguir nesse jogo.

VAI CROACIA!

Uma acusação de neonazismo aqui, uma crítica ao “nacionalismo exacerbado” ali, e pronto: a Croácia, finalista da copa do mundo de futebol a duras penas — sobreviveu a três prorrogações e venceu duas disputas de pênaltis — , virou a representante oficial da extrema-direta no torneio, em mais um episódio de pura distorção e omissão de fatos históricos que ajuda a entender porque a credibilidade da grande mídia despenca a cada dia.

Até 1991, quando recuperou sua condição de nação independente, a Croácia, juntamente com Bósnia e Herzegovina, Macedônia, Montenegro, Sérvia e Eslovênia, fazia parte da República Socialista da Iugoslávia, um leviatã comunista formado logo após o desfecho da segunda guerra mundial. O povo croata reconquistou sua liberdade às custas de muito derramamento de sangue durante embates contra o governo central, e sua saída do bloco marxista-leninista seria o estopim para a total dissolução posterior, em 2003.

Imperdoável: os croatas foram responsáveis diretos pela queda de um regime coletivista, marcado pelo dirigismo estatal. Aqui já dá para começar a entender a ira da imprensa tradicional com o pequeno país do Leste Europeu.

Mas não é só isso.

Cerca de 87% dos croatas são católicos romanos batizados. Como em qualquer lugar tomado por comunistas, a fé cristã foi alvo de perseguições e restrições estatais durante quase meio século.

Em 1946, o ditador iugoslavo Josip Broz “Tito” introduziu a “Lei dos Livros de Registro do Estado”, que permitiu o confisco de registros da igreja e outros documentos similares. Em 1952, foi proibida toda a educação religiosa em escolas públicas. Naquele ano, o regime também expulsou a Faculdade Católica de Teologia da Universidade de Zagreb, o qual não foi restaurada até as mudanças democráticas no inícios da década de 1990.

E não é difícil de compreender este notável antagonismo: ora, o catolicismo representa um obstáculo à implantação da agenda revolucionária. A título de exemplo, 20 mil pessoas marcharam contra o aborto na Croácia em 2017, protestando contra uma lei que permite o assassinato de bebês no útero materno até a décima semana de gestação, a qual foi aprovada, vejam vocês, em 1978, pela ditadura comunista.

Mas tem mais caroço neste angu.

O adversário da Croácia na final do campeonato mundial é a “multicultural” França, uma equipe formada por um sem número de estrangeiros naturalizados — para delírio daqueles que defendem a total abertura das fronteiras nacionais.

Sabedora dos efeitos nefastos da imigração em massa — Suécia, Alemanha, Inglaterra e a própria França experimentam graves elevações em todos os índices de criminalidade e aumentaram substancialmente seus gastos com bem-estar social — , a Croácia, a seu turno, tem tomado precauções contra a entrada de imigrantes ilegais desde 2015.

Ou seja, a decisão da copa da FIFA será entre um time “fofo acolhedor de refugiados” contra um selecionado branco feito papel: tudo leva a crer que uma eventual vitória da Croácia será considerada “racista e xenófoba”, como ocorreu após a Inglaterra eliminar a Colômbia — sim, acredite; Paul Joseph Watson narrou a reação histérica da Europa na ocasião.

A corrupta FIFA, sob influência de entidades globalistas, não vai descansar enquanto um país sem tradição alguma no esporte ganhar a taça do mundo — já há propostas para incluir 48 seleções em 2026. Seria a criação de “cotas” nas finais o próximo passo para mudar esta realidade onde apenas “impérios colonialistas” decidem o torneio?

E não acabou por aí: Logo depois das quartas de final, o zagueiro Demogoj Vida e o assistente técnico Ognjen Vulkojevic apareceram em vídeos dizendo “Slava Ukraini”, expressão que pode ser traduzida como “Glória à Ucrânia”. É claro que o episódio foi suficiente para que militantes disfarçados de jornalistas caracterizassem a referência como “ultranacionalista”, e até mesmo punições e advertências foram aplicadas pela FIFA.

Ucrânia e Croácia viveram à sombra das dominações russa (na União Soviética) e sérvia (na Iugoslávia). A afinidade é, portanto, natural: os nacionalismos croata e ucraniano são uma questão de sobrevivência de suas culturas — idioma, costumes, referências históricas, e por aí vai.

Afirmação de identidade, aos olhos de quem “analisa” os fatos já com a pauta pronta, vira “fascismo”. Matérias com este teor servem ainda, por óbvio, como cutucadas indiretas em políticos como Donald Trump, Jair Bolsonaro ou qualquer outro agente político “ultraconservador” que cogite rejeitar a nova ordem mundial.

Para fechar com chave de ouro a opressão croata na Rússia, a presidente da Croácia é uma linda loira (para desespero das feministas cuja inveja da beleza alheia insuflou a organização da copa a proibir que mulheres bonitas sejam mostradas pela geração de imagens das partidas), que paga do próprio bolso seu ingresso para assistir aos jogos, banca suas próprias despesas e ainda abriu mão do salário durante o período — totalmente ao contrário de Dilma Roussef, que costumava hospedar-se em suítes presidenciais de hotéis caríssimos jogando a conta para os pagadores de impostos.

Ah, ela ainda presenteou Trump com uma camiseta da Croácia e tirou uma foto com ele. Só faltou perguntar aos esquerdistas de plantão: “como posso te irritar mais hoje?”.

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Então ficamos assim: o ideal seria não misturar esporte e política, mas isso iria contra os princípios de ação da estratégia dos neomarxistas. Eles precisam problematizar tudo, dividir a sociedade a todo instante, e não nos deixam em paz nem na hora de ver um futebolzinho. Esta “copa da lacração”, onde até mesmo palhaçadas de turistas bêbados viraram crime e beijo na bochecha virou estupro, é um marco na história do movimento revolucionário, pois o entretenimento foi deixado de lado em nome da imposição de temas caros aos “progressistas”.

IDI HRVATSKOJ — VAI, CROÁCIA!!!!!!

Ricardo Bordin
Atua como Auditor-Fiscal do Trabalho, e no exercício da profissão constatou que, ao contrário do que poderia imaginar o senso comum, os verdadeiros exploradores da população humilde NÃO são os empreendedores. Formado na Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR) como Profissional do Tráfego Aéreo e Bacharel em Letras Português/Inglês pela UFPR.

Por que é impossível o governo ser gerenciado “como se fosse uma empresa

Com a acentuada queda no prestígio dos políticos (antes tarde do que nunca!) e a ascensão de líderes que tiveram uma passagem bem-sucedida pela iniciativa privada, tornou-se um lugar-comum dizer que o eleitorado, cansado dos políticos profissionais, agora está querendo pessoas bem-sucedidas, de comprovada experiência administrativa, e capazes de “impor eficiência à gestão do governo”.
A ideia básica é a de que, ao se colocar um experiente administrador na condução da máquina estatal, o governo poderá ser “mais bem gerenciado”.
Os mais entusiastas da ideia chegam até mesmo a dizer que, sob o comando de um experimentado empresário, o governo poderia ser gerido “como se fosse uma empresa”.
Igualmente, não é incomum ouvir vários políticos profissionais prometendo o mesmo: caso sejam eleitos, irão gerenciar o governo “como se fosse uma empresa”.
Só que isso atenta contra a mais básica lógica do funcionamento tanto do governo quanto de empresas. Um governo não pode ser gerenciado “como se fosse uma empresa” porque governos e empresas são intrinsecamente diferentes, para não dizer opostos.
O funcionamento do governo
Um governo é uma enorme organização com milhões de empregados e centenas de divisões, como estatais, ministérios, secretarias, agências reguladoras, autarquias, comissões etc. (No Brasil, apenas o governo federal comanda 148 estatais, sem contar as outras 119 empresas que possuem participação do BNDES).
O governo possui instalações e equipamentos a serem comprados e substituídos, equipes a serem montadas e dirigidas, estratégias a ser formuladas e executadas, e folhas de pagamento a serem cumpridas.
Sob esse aspecto, ele realmente se assemelha a uma empresa. Mas as semelhanças acabam aí. Todo o resto é completamente diferente.
Para começar, o governo, por sua própria natureza, não opera com recursos próprios. O governo é a única organização dentre todas as organizações que obtém suas receitas não por meio da prestação de serviços voluntariamente adquiridos por consumidores, mas sim por meio da tributação — isto é, por meio da coerção dos cidadãos.
Mais: ao contrário de empresas privadas, as receitas do governo independem da qualidade dos serviços prestados.
Consequentemente, o governo não está sujeito às demandas dos consumidores. Não há “soberania do consumidor” no que diz respeito ao governo. Suas receitas são garantidas. Logo, com receitas garantidas, o governo não está sujeito aos mecanismos de lucros e prejuízos do mercado. O governo não tem de se preocupar com prejuízos ou risco de falência; seus funcionários não precisam servir a ninguém senão a si próprios.
Por não se guiar pelo mecanismo de lucros e prejuízos, e nem pelo sistema de preços, tudo se torna um jogo de adivinhação dentro da burocracia do governo.
Por exemplo, cada ministério, agência e secretaria possuem objetivos declarados. Mas quão bem esses objetivos estão sendo cumpridos? O Ministério da Educação, por exemplo, está satisfazendo seus “consumidores”? E o Ministério da Saúde? E o Ministério da Justiça? E o Ministério da Fazenda? E o Ministério da Pesca? E cada agência reguladora?
Os burocratas responsáveis por cada um destes órgãos merecem elogios ou críticas? O que constitui um “bom desempenho” em cada um destes órgãos?
Como explicou Ludwig von Mises em seu livro Burocracia, estas perguntas são fundamentalmente impossíveis de ser respondidas. Na melhor das hipóteses, podem ser apenas estimadas segundo algum critério subjetivo, mas não podem apresentar a mesma precisão das estimativas feitas em empresas privadas, pois as agências do governo não vendem seus serviços no mercado concorrencial. O “consumidor” dos serviços do governo não escolhe entre vários fornecedores, direcionando seu dinheiro para aquela empresa que fornece os melhores produtos aos melhores preços. Ao contrário: com o governo, o consumidor paga compulsoriamente por tudo, goste ele ou não do serviço. Sendo assim, como avaliar o desempenho do governo? Disse Mises:
Os objetivos da administração pública não podem ser mensurados em termos monetários e não podem ser avaliados por métodos contábeis. Na administração pública, não há conexão entre receitas e despesas. Os serviços públicos estão apenas gastando dinheiro. As receitas derivadas de tributos e taxas não são “produzidas” pelo aparato administrativo; sua fonte é a lei e a atuação da Receita Federal, e não a qualidade dos serviços prestados.
Dado que, dentro desta burocracia do governo tudo é um jogo de adivinhação, você não sabe exatamente o quanto deve gastar em quê; você não sabe se há algum objetivo racional naquilo que você está fazendo; você não sabe se este ou aquele plano será bem-sucedido ou se irá fracassar completamente; você não sabe onde cortar gastos caso tenha de fazê-lo; e você não sabe quais seções e quais pessoas estão fazendo um bom trabalho e quais não estão.
O setor público é um setor que, inevitavelmente, por pura lógica econômica, sempre funciona às escuras, sem ter a mínima ideia do que faz, e sempre tendo de fingir que está fazendo tudo certo.
Por não operar de acordo com os sinais de preços emitidos pelo mercado, e por não seguir a lógica do sistema de lucros e prejuízos, o governo simplesmente não tem como avaliar e estimar o real valor econômico de qualquer coisa que faça. O que a nação obtém em decorrência das despesas e dos serviços prestados pelo governo não pode ser avaliado em termos monetários, por mais importante e valoroso que tal “produto” seja. Essa avaliação dependerá exclusivamente dos critérios estabelecidos pelo próprio governo — ou seja, das decisões pessoais e arbitrárias de políticos e burocratas.
Por tudo isso, os investimentos do governo nunca poderão ser feitos da maneira correta, seus serviços nunca serão prestados de maneira satisfatória, e sempre haverá desperdício de recursos e gritante ineficiência.
Esta é uma realidade inevitável. Não se trata de ideologia; é pura ciência econômica.
Por não ter esta racionalidade, as burocracias estatais sempre acabam seguindo os caprichos do governo do momento, preocupadas exclusivamente em satisfazer as demandas de políticos que visam apenas sua autopromoção e sua reeleição.
Consequentemente, as burocracias estatais sempre estarão sob os auspícios de uma gente cujo horizonte temporal é de no máximo quatro anos, e inevitavelmente se transformarão em fábricas de desperdício, ineficiência, confusão e ressentimento.
Por isso, é impossível um governo brincar de empresa. Empreender significa arriscar o próprio dinheiro em um investimento. Significa auferir receitas de acordo com a qualidade dos serviços prestados. Já burocratas e políticos não têm incentivos reais para desenvolver habilidades empreendedoriais, para se ajustar de fato às demandas do consumidor. Eles não arriscam a perda do próprio dinheiro no empreendimento.
De resto, fora a questão dos incentivos, mesmo os mais ávidos administradores estatais não poderiam operar como se fossem empreendedores privados. Toda a operação estatal funciona com o dinheiro de impostos — portanto, por meio da taxação coerciva. O governo, por sua natureza, já nasceu com este grave defeito “enraizado” em seus órgãos vitais, e nenhum empresário “bom gestor” pode mudá-lo. Ademais, o fato de que quaisquer gastos futuros poderão ser feitos utilizando-se de receitas tributárias faz com que as decisões dos administradores estejam sujeitas aos mesmos vícios. A facilidade de se obter dinheiro irá inevitavelmente distorcer as operações.
O funcionamento de empresas privadas
Já empresas privadas que operam em ambiente concorrencial apresentam um funcionamento completamente distinto.
Para começar, a empresa só auferirá receitas e continuará existindo se convencer os consumidores a voluntariamente lhe darem dinheiro de maneira contínua. E elas só conseguirão fazer isso se oferecerem bens e serviços de qualidade a preços considerados aceitáveis pelos consumidores. Ao contrário do governo, elas não podem obrigar as pessoas a simplesmente lhe darem mais dinheiro caso estejam necessitando.
Para conseguir mais dinheiro, elas têm de satisfazer com ainda mais intensidade os consumidores.
Adicionalmente, no mundo do comércio, e ao contrário do mundo estatal, os sinais de preços emitidos pelo mercado comandam as decisões. O sistema de lucros e prejuízos mostra como os recursos escassos estão sendo empregados. Se corretamente, os consumidores recompensam as empresas propiciando-lhes grandes lucros; se erroneamente, os consumidores punem as empresas impondo-lhes prejuízos.
Uma expansão ou um corte nos investimentos é algo que será guiado pelo balancete das empresas. Não interessa se a empresa é grande ou micro: ela estará sempre em busca da lucratividade. E a lucratividade sempre será, em última instância, determinada pela decisão voluntária dos consumidores.
Empresas privadas, ao contrário do governo, existem visando a apenas um objetivo supremo: auferir lucros. A participação de empregados, fornecedores, investidores e consumidores neste arranjo é estritamente voluntária. O capital da empresa é propriedade privada. Lucros são obtidos e prejuízos são evitados ao se produzir bens e serviços que os consumidores querem e estão dispostos a comprar. Sob a concorrência, é possível mensurar o sucesso ou o fracasso de uma empresa em termos monetários: basta olhar seu resultado contábil e o valor de mercado de seus ativos, de suas ações e de seu patrimônio líquido. Tudo isso é feito “automaticamente” pelo sistema de preços.
Um bom administrador gera lucros para os proprietários da empresa; um mau gera prejuízos. Os detalhes para cada caso específicos são diferentes e fascinantes, mas o modelo geral é claro, direto e consistente.
As diferenças operacionais
Em uma grande empresa, a busca pelo lucro gera uma combinação entre regras e liberdade de ação. Os executivos fornecem as direções gerais, estabelecem sistemas e procedimentos, recrutam gerentes e empregados, resolvem pendengas e divergências, e se concentram na estratégia. Enquanto isso, delegam uma grande medida das atividades diárias aos seus subordinados e às suas sucursais, os quais têm mais liberdade de ação.
Já no governo, toda esta estrutura é burocratizada e sem metas objetivamente mensuráveis. As ações administrativas efetuadas por burocratas não têm valor monetário no mercado. Não há um preço livremente estabelecido para elas. Seu valor não pode ser mensurado por meio de uma transação de mercado. Consequentemente, as medidas administrativas do governo não podem ser expressas em termos de dinheiro.
O gerenciamento objetivando o lucro e o gerenciamento burocrático requerem habilidades completamente distintas e utilizam princípios de gerenciamento completamente opostos. Por exemplo, sob um gerenciamento burocrático, os processos de tomada de decisão devem ser estritamente hierárquicos, com muito pouca liberdade de ação para os subordinados. E tem de ser assim, pois como você saberia se as ações de seus subordinados irão contribuir para o desempenho geral se você não tem um resultado financeiro para lhe guiar?
Sobre isso, Mises afirmou que, na burocracia estatal, “o vínculo entre superior e subordinado é pessoal. O subordinado depende do juízo que o superior fará de sua personalidade, e não do seu trabalho.” E fez a seguinte análise sobre a diferença operacional entre sucursais privadas e agências estatais:
Não é por causa da meticulosidade que as regulamentações administrativas determinam quanto pode ser gasto por cada agência ou aparato estatal em coisas como limpeza, reparo de móveis e equipamentos, iluminação e sistema de ar condicionado.
Em uma grande empresa privada, tais coisas podem ser deixadas, sem hesitação, aos critérios do administrador local. Ele não irá gastar mais do que o necessário porque ele está utilizando, de certo modo, seu próprio dinheiro. Se ele desperdiçar o dinheiro da empresa, ele colocará em risco os lucros daquela sucursal e estará assim indiretamente prejudicando seus próprios interesses.
Por outro lado, a situação é diferente para o chefe de uma agência estatal. Ao gastar mais dinheiro, ele poderá aprimorar os resultados de seu departamento. A parcimônia terá de ser imposta a ele por controle governamental. E isso quase nunca funciona.
Conclusão
Estudiosos da administração pública já estão bem cientes do problema de se mensurar o desempenho do setor público. Já há centenas de monografias acadêmicas e livros sobre o assunto, o qual continua sendo matéria de acalorados debates entre especialistas.
Porém, quaisquer que sejam os métodos sofisticados que os pesquisadores inventem para mensurar o desempenho do setor público — pesquisas de opinião, indicadores secundários, estudos randomizados controlados, simulações de computador etc. —, o fato é que nenhum método pode contornar aquele problema fundamental: o governo e seus órgãos não vendem seus serviços no mercado concorrencial para consumidores que voluntariamente optam por comprá-los, não se direcionam pelo sistema de lucros e prejuízos, e suas receitas não são auferidas de acordo com a qualidade dos seus serviços.
Mesmo com um excelente CEO no comando, nenhum governo pode ser gerenciado como fosse uma empresa. E, sinceramente, nem mesmo deveríamos querer isso. Imagine um governo extremamente eficiente em coletar impostos e impingir regulamentações draconianas?
Por outro lado, não seria nada mau ter como presidente um CEO especializado em vendas de ativos, alienação de participação societária, demissões, liquidações e dissoluções.

Peter G. Klein leciona economia na University of Missouri.

Dialogo entre um jovem esquerdista formatado e um estudioso da historia real.

AFIRMAÇÃO DO ESQUERDISTA DEFORMADO:

Não existe “espécie branca”, existe raça branca originária de variações genéticas da espécie humana, que por sua vez tem sua origem na África, conforme os evolucionistas estudam e afirmam. A cutis branca tem um propósito de sintetizar a vitamina D promovida pelo sol, como ao longo das eras o Homo sapiens foi saindo do continente africano e se espalhando por regiões gélidas como a Europa, foi necessário a pele clarear para então sintetizar a vitamina D mais rapidamente. O que os eugenistas – incluindo os nazistas de forma extrema – pretendiam era manter a variação genética com traços nórdicos, que acreditavam e ainda acreditam ser a forma mais bela, o que na verdade é apenas um construto social e cultural, a beleza é subjetiva e não tem nada a ver com superioridade racial. Outro ponto a ser observado é que a Europa sempre esteve à frente dos demais continentes devido a sua localização e assim, pôde trocar tecnologia com praticamente todo o mundo. Gostaria de saber a fonte que utilizaram para afirmar que Hitler possuía negros em seus exércitos oficiais, ou ainda, que história é essa, mal contada em relação aos judeus – contra fatos não há argumentos. Este homem, Hitler, é digno de pena, apenas um perdedor, que de tão covarde cometeu suicídio, preferiu, por exemplo, não assistir 30 mil berlinenses serem estupradas pelo exército vermelho com seu “sangue impuro” e Dresden arder em chamas. Pelo que os nazistas adeptos do darwinismo social pregavam, a Alemanha deveria sumir do mapa conforme a seleção natural das espécies, mas hoje sabemos que isso não passa de um delírio.

RESPOSTA DO ESTUDIOSO:

Pelas suas claras explicações se vê que você não passa de um “suposto descendente de alemães transgênico”. Teu cérebro ou linha de pensamento foi culturalmente modificado por mensagens pregadas de forma incessante durante todos os momentos até os dias hoje sobre a guerra mundial e agora prega a clara germanofobia por ter perdido identidade étnica e cultural. Também não entendeu o que está escrito e assimilou um chip cultural que lhe foi imposto desde criança para ser o que é, capacho dos dominadores do planeta.